PNEUS MACIOS PASSAM A SER OBRIGATÓRIOS EM DOIS STINTS NAS PISTAS DE RUA

Foto: Penske Entertgainment - Travis Hinkle

  • Leonardo Alves
  • 16 de fevereiro de 2026
  • 13:31

Nova regra da Fórmula Indy acaba com o descarte imediato dos compostos macios e exige maior gestão estratégica em 2026

A Fórmula Indy decidiu transformar um experimento realizado em 2025 em uma mudança formal e obrigatória para esta temporada. A partir de agora, os pilotos serão exigidos a utilizar o composto de pneu alternativo da Firestone, o pneu de banda verde, mais rápido e de maior degradação, por dois trechos em cada uma das seis corridas de rua do calendário. A medida, que já foi comunicada oficialmente às equipes, visa aumentar o desafio estratégico e impedir que o pneu macio seja apenas um obstáculo a ser superado rapidamente nas primeiras voltas de prova.

A regra de utilização do composto primário da Firestone, o pneu preto mais durável, permanece a mesma e ele deve ser usado ao menos uma vez durante as provas em St. Petersburg, Arlington, Long Beach, Detroit, Markham e Washington D.C. No entanto, a obrigatoriedade de dois jogos de pneus verdes representa uma mudança drástica na dinâmica de pista. Historicamente, as equipes buscavam entrar e sair dos pneus alternativos o mais rápido possível, aproveitando o pico de aderência inicial antes de enfrentarem uma queda súbita de performance. No Grande Prêmio de Long Beach do ano passado, por exemplo, vimos um movimento em massa onde 21 dos 27 pilotos no grid largaram com pneus alternativos apenas para cumprir o regulamento de dois giros iniciais e se livraram deles já na terceira volta da corrida de 90 voltas, migrando para os pneus pretos para o restante do percurso.

O presidente da categoria, Doug Boles, já havia antecipado essa visão ao introduzir a regra no circuito misto de Indianápolis no ano passado, afirmando que a categoria busca constantemente melhorar um produto de pista que já é extraordinário. Segundo Boles, a maior degradação dos pneus alternativos da Firestone dá aos estrategistas muito o que pensar e a expectativa é que essa atualização desafie ainda mais o talento dos pilotos e a inteligência dos engenheiros. Com a nova regra sendo aplicada onde o asfalto é mais agressivo e as frenagens são mais brutais, os pilotos terão a missão inglória de extrair velocidade enquanto tentam estender a vida útil de pneus que não foram feitos para durar longas distâncias.

A mudança também deve alterar o comportamento das equipes já no sábado de classificação. Como a Firestone fornece um número limitado de jogos novos por final de semana, a necessidade de guardar pneus verdes saudáveis para os dois trechos obrigatórios da corrida pode inibir o uso agressivo de pneus novos durante as fases eliminatórias do treino classificatório. Antes, as equipes não hesitavam em gastar um jogo novo de macios para avançar ao estágio final ou garantir a posição de honra, sabendo que usariam esse pneu por apenas duas ou três voltas no domingo. Agora, quem consumir pneus novos em excesso na classificação pode chegar à corrida com um déficit de performance fatal, sendo obrigado a usar compostos usados que, em circuitos de rua, são considerados um risco perigoso para o ritmo de prova.

A estratégia de corrida passará a ser um jogo de xadrez jogado sob pressão máxima. Se o plano funcionar como a categoria pretende, veremos uma flutuação muito maior de posições dependendo de quem soube poupar borracha ou quem arriscou tudo na busca pelo tempo de volta no sábado. Essa nova variável será um dos grandes atrativos para quem acompanhar as transmissões pela TV Bandeirantes (Band), Disney+ Premium e canais ESPN, onde cada parada nos boxes passará a ter um peso dramático muito maior. O gerenciamento de pneus, que antes era secundário em algumas provas de rua, agora assume o protagonismo técnico da temporada 2026.

A imposição do uso duplo de pneus alternativos é o tipo de intervenção regulamentar que separa os grandes estrategistas dos meros seguidores de dados. Ao forçar os carros a rodarem mais tempo com um pneu que se desgasta rapidamente, a categoria cria janelas de ultrapassagem naturais e pune quem não tem a sensibilidade mecânica para preservar o equipamento. Em pistas travadas e de asfalto irregular, a gestão desse recurso será o diferencial entre o pódio e o meio do pelotão. A categoria acerta ao criar esse dilema, pois ou o piloto garante uma boa posição de largada gastando seus pneus, ou guarda fôlego para o final da prova sabendo que terá que sobreviver a dois trechos com a borracha mais sensível do campeonato.

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