Foto: Dale Coyne and Romain Grosjean - INDYCAR Sebring Test - Day 1 - By: Chris Jones
Aos 39 anos, Romain Grosjean está de volta à Dale Coyne Racing, sua primeira casa na categoria, para formar dupla com o campeão da Indy NXT, Dennis Hauger.
O quebra-cabeça da temporada 2026 da Fórmula Indy está finalmente completo. E a peça que faltava tem um nome conhecido, um sotaque francês e uma história de recomeços. Conforme anunciado por Marshall Pruett, Romain Grosjean está de volta à Dale Coyne Racing (DCR), a equipe que lhe deu as boas-vindas à categoria quando ele deixou a Fórmula 1 em 2021. Aos 39 anos, Grosjean retorna às suas origens na Indy para ocupar o #18 Honda e, de quebra, exercer um papel de mentor para o novato Dennis Hauger, atual campeão da Indy NXT.
A trajetória de Grosjean na Indy é um roteiro de altos e baixos. Após uma estreia promissora pela Coyne, ele passou duas temporadas na Andretti Global (2022-2023) e uma na Juncos Hollinger Racing (2024), antes de ficar de fora de toda a temporada de 2025. Agora, ele retorna ao ninho com a missão de trazer estabilidade e velocidade a uma equipe em reestruturação.
“Formar uma dupla com um novato excepcional como Dennis e um veterano comprovado como Romain nos dá uma base competitiva sólida”, afirmou o chefe da equipe, Dale Coyne. “Trazer de volta peças-chave da nossa história enquanto construímos novas parcerias globais nos posiciona bem para 2026.”
O anúncio vem acompanhado de movimentações importantes nos bastidores. O retorno do engenheiro de corrida Bill Pappas, com seu currículo vitorioso, é um reforço significativo para o departamento técnico da equipe. Além disso, o carro de Grosjean terá o apoio das marcas financeiras globais OnlyBulls e Bitcoin MAX, as mesmas que estampam os carros da Meyer Shank Racing, indicando uma sinergia de patrocinadores no paddock.
Grosjean já deu suas primeiras voltas com o carro no início da semana, durante os testes coletivos em Sebring, onde pôde começar a se reacostumar com o carro e a equipe. Agora, com o anúncio oficial, ele e Hauger formam uma das duplas mais interessantes do grid: a experiência contrastando com a fome de um campeão recém-saído das categorias de base.
A confirmação do retorno de Romain Grosjean à Dale Coyne Racing é mais do que um acerto de contrato de última hora. É uma narrativa poética em um esporte que muitas vezes carece delas. Grosjean, que chegou à Indy carregando o peso de um acidente quase fatal na F1 e a fama de piloto impulsivo, encontrou na Coyne um porto seguro em 2021 e floresceu. Vê-lo retornar à mesma equipe, agora como um veterano de 39 anos com a missão de guiar um novato, é um belo fechamento de ciclo.
A escolha é inteligente para ambos os lados. Para a DCR, que enfrenta constantes batalhas orçamentárias para se manter competitiva, ter um nome de peso e reconhecido internacionalmente como Grosjean agrega valor midiático e técnico. Para Grosjean, é a chance de escrever um novo capítulo em um ambiente onde ele sabe que pode ser feliz e performar, longe das pressões de gigantes como Andretti.
A presença de Bill Pappas na engenharia é um acerto cirúrgico. Pappas sabe extrair o máximo de orçamentos limitados e tem a experiência necessária para equilibrar as demandas de um novato e de um veterano. A dupla Grosjean-Hauger, se bem apoiada, tem tudo para ser uma das mais equilibradas do meio do grid.
Por fim, o grid completo para 2026 é uma conquista. Em tempos de incerteza econômica global, a Fórmula Indy mantém suas 11 equipes integrais (considerando que a PREMA deve se resolver) e adiciona uma história de redenção. Resta saber se Grosjean, agora mais maduro, conseguirá traduzir seu talento em resultados consistentes e, quem sabe, dar à Dale Coyne a alegria de um pódio que não visita há tempo. A resposta começará a ser escrita nas ruas de St. Petersburg.
