PRESSIONADA, PREMA CORRE CONTRA O RELOGIO PARA ESTREIA EM 2026

Foto: Penske Entertainment - James Black

  • Leonardo Alves
  • 6 de fevereiro de 2026
  • 08:13

IndyCar avalia abrir o grid enquanto equipe italiana corre para não ficar fora do início da temporada

A contagem regressiva para a temporada 2026 da Fórmula Indy já começou — e ninguém sente mais a pressão do que a PREMA Racing.

Faltando poucas semanas para o início do campeonato em St. Petersburg, a tradicional equipe europeia ainda não confirmou se conseguirá colocar seus dois carros no grid. Enquanto isso, a categoria observa o calendário apertar e, discretamente, começa a estudar um plano B.

O teste coletivo em Sebring acontece já nos próximos dias, seguido por uma sessão oficial no oval de Phoenix. Logo depois, vem o primeiro treino do ano. Em outras palavras: o tempo virou inimigo.

A ausência da PREMA, que ocupou as posições 26 e 27 do grid em 2025 como única estrutura sem charter autorizada a disputar coreografias completas fora da Indy 500, abre um dilema para a organização: esperar ou redistribuir essas vagas?

Desde a introdução do sistema de franquias (charters) em 2025, a Penske Entertainment limitou o grid a 27 carros nas etapas regulares. Vinte e cinco pertencem às equipes franqueadas. As duas restantes foram concedidas à PREMA. Se ela não alinhar, sobram espaços valiosos — e potencialmente disputados.

O presidente da categoria, Doug Boles, deixou claro que o desejo da IndyCar é ver a equipe italiana de volta, mas admitiu que o tema já está em debate interno.

“É uma ótima pergunta, e uma que discutimos internamente”, disse Boles à RACER. “Existem os 25 carros com charter, e a PREMA no ano passado completou o grid de 27. Nossa intenção era ter 27 carros novamente este ano, e isso incluiria a PREMA. Ainda não conversamos com ninguém sobre carros extras durante a temporada.”

O dirigente também demonstrou cautela com a possibilidade de inscrições esporádicas, aquelas participações pontuais em algumas corridas.

“Nossa preferência seria que, se tivéssemos mais de 25, fosse alguém comprometido com a temporada inteira, porque é mais fácil do que escolher corridas isoladas. Porque, se três equipes quiserem adicionar um carro em eventos diferentes, quem decide quem corre? Meu palpite é que, se forem 25, provavelmente serão 25 durante o ano todo, mas ainda não decidimos completamente.”

Nos bastidores, o CEO da PREMA na IndyCar, Piers Phillips, tenta viabilizar a compra integral da operação e garantir novos investidores. A intenção é relançar a equipe com base sólida em Indianápolis. O problema é o cronograma: mesmo que o negócio avance, dificilmente tudo estaria pronto já para a abertura do campeonato.

Ainda assim, a categoria tem demonstrado paciência. Chevrolet e Firestone também aguardam definições. Há um reconhecimento implícito de que a PREMA fez investimento relevante em 2025 e merece consideração.

Boles reforçou que a porta não será fechada às pressas.

“Obviamente mantivemos contato com o Piers e com a equipe enquanto eles trabalham para entender como a PREMA pode ser em 2026”, explicou. “Acho que, honestamente, depende de como a PREMA vai se apresentar; certamente daríamos consideração a eles, dependendo do compromisso de correr o restante da temporada e do momento em que estariam prontos. Existe valor no investimento que eles fizeram no ano passado.”

A mensagem é clara: a IndyCar quer 27 carros, quer a PREMA, mas também não pode deixar o grid indefinido indefinidamente.

No fim das contas, trata-se de equilíbrio entre planejamento esportivo e realidade financeira. Em um campeonato que luta para crescer e manter estabilidade, duas vagas vazias não são apenas espaços no grid — são oportunidades comerciais, técnicas e políticas.

Se a PREMA chegar a tempo, o roteiro segue como previsto.
Se não chegar, a Fórmula Indy terá de decidir rápido quem assume o lugar.

E o relógio já está correndo.

Parceiros