Foto: David Land
CEO da Mclaren fala em entrevista coletiva na nova sede da equipe em Zionsville sobre prova em Washington DC, chegada ao mundo do Endurance e até os flertes com Fernando Alonso para participação na Indy 500 no futuro.
A McLaren Racing inaugurou oficialmente o novo McLaren Racing Center, em Indianápolis, e durante o evento promoveu uma sessão de cerca de 20 minutos com a imprensa, na qual o CEO Zak Brown falou sobre a nova sede, os planos esportivos da equipe, a importância do mercado americano, a etapa de Washington D.C., o programa de hipercarro e até uma possível volta de Fernando Alonso à Indy 500.
Brown iniciou destacando a emoção de estar no novo prédio.
“É incrível. Eu me sinto como uma criança de novo toda vez que estou perto de carros de corrida. É um prédio lindo. Acho que a equipe fez um trabalho excelente. Não sei se vocês já tiveram a chance de caminhar por ele, mas é uma instalação que vai nos dar grande eficiência operacional.”
Ele explicou que a antiga sede tinha cerca de 2.230 a 2.320 metros quadrados, enquanto a nova é mais de três vezes maior, com aproximadamente 7.000 metros quadrados. Segundo Brown, o espaço adicional evita deslocamentos desnecessários para buscar peças, pintura e equipamentos, algo que considera perda de tempo.
“Agora temos tudo sob o mesmo teto. Temos espaço para investir em tecnologia, cabines de pintura, shaker rigs e outras ferramentas que vocês vão ver quando caminharem pelo prédio.”
O executivo ressaltou ainda que o ambiente de trabalho é o aspecto mais importante.
“Queremos oferecer academia, refeitório, escritórios, salas de reunião. Um lugar onde as pessoas possam trabalhar melhor. Saúde física leva a melhor saúde mental. Ontem eu não queria ir embora, queria ficar aqui trabalhando e aproveitando o ambiente.”
Brown também afirmou que a nova estrutura melhora a experiência para patrocinadores.
“É um lugar onde nossos parceiros podem realizar eventos e negócios. É um ambiente agradável, algo que não era possível na antiga sede.”
Questionado sobre a influência do centro tecnológico da McLaren na Fórmula 1, o MTC, ele admitiu que foi grande.
“Bastante. No MTC investimos em academia nova, treinadores, fisioterapeutas, psicólogos. Replicamos, em menor escala, muito do que funciona lá. Também temos as tecnologias mais recentes para nos conectarmos com a F1 e o WEC. Nossas equipes estão mais conectadas do que nunca.”
Sobre a importância de ter uma base desse porte nos Estados Unidos, Brown destacou o simbolismo.
“Indianápolis é uma cidade incrível para corridas. É legal as pessoas passarem de carro e verem ‘ali está a McLaren’. É o lugar certo para estar.”
Do ponto de vista comercial, ele foi direto.
“Os Estados Unidos são, possivelmente, nosso mercado mais importante. É o número um para a divisão automotiva. Ter a IndyCar nos dá presença ainda maior na América do Norte e mais oportunidades comerciais.”
Perguntado sobre a mensagem que o novo prédio envia aos rivais, respondeu:
“Mostra que estamos aqui, que queremos vencer e que estamos a longo prazo. Você não faz um investimento desses se não pretende ficar por muito tempo. Também nos dá espaço para expandir, talvez para a IMSA. Espero que ajude a elevar o nível da IndyCar.”
Sobre prioridades para a nova sede, reforçou:
“Ter tudo sob o mesmo teto e criar um ambiente onde a equipe possa trabalhar duro, treinar, comer bem e ter boa iluminação. Isso se traduz em resultados na pista.”
Falando de pilotos, elogiou Pato O’Ward.
“Ele é fantástico. Tem dois modos: Fórmula 1 e IndyCar. Grande personalidade, provavelmente o piloto mais popular da categoria. Extremamente rápido e um grande líder.”
Brown também atualizou o programa de hipercarro da marca.
“O carro está bem avançado. Vou vê-lo na Itália em breve no dinamômetro de chassi. O motor está pronto e estamos fazendo simulações longas, no estilo Le Mans, para confiabilidade. É muito real e empolgante. A maioria dos pilotos já está contratada. O primeiro teste de pista será em maio. A IMSA é de grande interesse, talvez Daytona ou o campeonato completo. 2028 é provavelmente o mais cedo. Será um esforço de fábrica, sem carros para clientes.”
Sobre a nova corrida em Washington D.C., admitiu surpresa.
“Sim, foi uma surpresa, mas empolgante. O Nordeste é muito importante. Ouvi falar do traçado, mas ainda não vi. Ruas largas devem proporcionar um circuito rápido. Visualmente vai ser incrível.”
Ele reconheceu desafios logísticos.
“Não sabemos muitos detalhes ainda. Será um desafio. Mas os patrocinadores vão adorar. Provavelmente compensa os custos com receita. Adiciona estresse, mas já estamos acostumados com corridas seguidas.”
Questionado sobre Nolan Siegel, afirmou que a meta é consistência.
“Queremos os três carros sempre no top 10. Tivemos corridas fortes e fracas no ano passado. Precisamos ser mais consistentes.”
Por fim, respondeu sobre a possibilidade de Fernando Alonso voltar a disputar a Indy 500 com a McLaren.
“Estamos muito felizes com o Ryan no carro este ano. Mas depois disso, quando o Fernando parar na Fórmula 1, eu adoraria vê-lo de volta conosco em Indianápolis. Eu falo com ele sobre isso o tempo todo. Acho que temos um carro capaz de vencer e ele é capaz de vencer. Vou continuar insistindo.”
Encerrando, Brown destacou o valor comercial tanto da nova etapa em Washington quanto da nova sede.
“Washington vai ser espetacular, vai atrair novos fãs e muita atenção da mídia. Talvez se torne permanente. E esta instalação será enorme para nossos parceiros. Eles podem realizar eventos, reuniões, lançamentos. Agora temos uma estrutura que combina com o que se espera da McLaren.”