Foto: Penske Entertainment - Chris Owens
Armstrong lidera os testes, novos pneus Firestone mudam o comportamento dos stints e equipes tratam os tempos com cautela na Fórmula Indy
Dois dias, 16 horas de pista e centenas de voltas depois, Sebring cumpriu exatamente o papel que sempre cumpre na pré-temporada da Fórmula Indy: cansar pilotos, sacudir carros e produzir mais dados do que certezas.
O traçado externo utilizado pelas equipes tem cerca de 2,6 quilômetros e é o mais viável para os carros da Indy. O circuito completo, cheio de ondulações agressivas e buracos típicos de uma antiga base aérea, seria praticamente intransitável para um carro de monoposto moderno. Não é exagero dizer que ali a suspensão trabalha no limite o tempo inteiro. Sebring é menos sobre velocidade pura e mais sobre sobrevivência mecânica.
Foram quatro sessões de quatro horas, divididas entre grupos, com 24 carros na pista em diferentes momentos. Nada de simulações de classificação ou corridas curtas. A prioridade era rodar, testar peças, validar acertos e entender os novos pneus.
Ainda assim, um nome apareceu com insistência no alto da tabela: Marcus Armstrong.
O piloto da Meyer Shank Racing colocou o Honda nº 66 no topo duas vezes e registrou a melhor volta de todo o teste na manhã de terça-feira, aproveitando o ar frio e a pista emborrachada — condição que tradicionalmente gera tempos mais rápidos em Sebring.
Mas o próprio Armstrong tratou de colocar os números em perspectiva.
“Manhã de segundo dia aqui é sempre muito rápida. Ar fresco, pista com borracha… os tempos ficam meio irreais. Não é algo que você vai ver em St. Pete ou Detroit”, explicou.
O que realmente o animou foi a consistência nos stints longos.
“Eu fiquei surpreso com o quanto os pneus se mantiveram estáveis. A degradação foi bem baixa. Para long runs, isso é muito positivo.”
Sobre os novos compostos primários da Firestone para 2026, a leitura foi clara.
“Eles demoram um pouquinho mais para chegar na temperatura ideal, exatamente como a Firestone previu. Mas, depois disso, o equilíbrio é bem parecido com o do ano passado.”
Kyle Kirkwood chegou à mesma conclusão após liderar a sessão da tarde.
Segundo ele, os pneus de 2025 já estavam prontos na terceira ou quarta volta. Agora, a janela ideal aparece apenas na quinta, sexta ou sétima passagem.
Parece detalhe, mas em circuitos de rua, onde não existe margem para erro, duas voltas extras “patinando” podem significar travadas, escapadas e ultrapassagens inesperadas.
Se demoram mais para aquecer, também podem durar mais. Estratégia pura.
Dentro da Meyer Shank, o discurso também mudou de patamar. Armstrong deixou claro que a equipe não pensa mais pequeno.
“A continuidade é a chave. Mesmos engenheiros, mesma equipe, Billy Vincent na estratégia, parceria forte com a Ganassi. Isso ajuda demais. Ano passado falávamos em top 15. Agora é top cinco, top três. A gente quer ganhar.”
E, quando perguntado sobre pressão, soltou a frase que arrancou risos no paddock:
“Pressão é só para os pneus.”
Na Andretti Global, o clima era de integração total. Kirkwood falou longamente sobre o trabalho ao lado de Marcus Ericsson e Will Power.
“Está sendo muito divertido. O Ericsson é extremamente focado e rápido. E o Will trouxe ideias novas, perspectivas que a gente nem tinha considerado. Isso muda a forma como o time pensa.”
A sensação interna é de que a Andretti, depois de temporadas inconsistentes, pode ter encontrado uma química diferente.
Na Penske, Scott McLaughlin soou igualmente confiante.
“Eu normalmente não gosto de testar em Sebring, mas esse foi um dos melhores que já fiz. A equipe não está mais em reconstrução. Estamos prontos.”
Nem tudo foi perfeito — Kyffin Simpson teve uma pane leve e parou na pista nos minutos finais de uma sessão —, mas o teste foi surpreendentemente limpo, sem batidas ou bandeiras vermelhas longas. Algo raro para um circuito tão traiçoeiro.
E talvez isso explique o verdadeiro tom desses dois dias.
Sebring não revelou favorito. Não criou herói. Não decretou crise para ninguém.
Só mostrou o que a pré-temporada realmente é: trabalho pesado, planilhas cheias de números e pilotos aprendendo, volta após volta, como extrair décimos de um carro que ainda está sendo construído.
No fim das contas, Sebring serve muito mais para separar o que funciona do que para apontar favoritos. A Honda apareceu na frente, Armstrong foi consistente e algumas equipes mostraram organização, mas teste é teste: carga de combustível varia, programa de trabalho é diferente para cada carro e ninguém revela tudo o que tem. Qualquer leitura definitiva agora é precipitada. A verdade é simples e menos glamourosa — só em St. Petersburg, com bandeira verde valendo pontos, é que vamos descobrir quem realmente fez a lição de casa e quem apenas acumulou voltas sem sair do lugar. É ali que a temporada começa de verdade.
🕒 Classificação geral agregada – Tempos não oficiais (Fórmula Indy)
| Posição | Carro | Piloto | Equipe | Chassi/Motor/Pneu | Tempo | Período |
|---|---|---|---|---|---|---|
| 1 | 66 | Marcus Armstrong | Meyer Shank Racing | Dallara/Honda/Firestone | 52s372 | Manhã |
| 2 | 27 | Kyle Kirkwood | Andretti Global | Dallara/Honda/Firestone | 52s479 | Tarde |
| 3 | 9 | Scott Dixon | Chip Ganassi Racing | Dallara/Honda/Firestone | 52s514 | Manhã |
| 4 | 26 | Will Power | Andretti Global | Dallara/Honda/Firestone | 52s611 | Manhã |
| 5 | 3 | Scott McLaughlin | Team Penske | Dallara/Chevrolet/Firestone | 52s636 | Manhã |
| 6 | 60 | Felix Rosenqvist | Meyer Shank Racing | Dallara/Honda/Firestone | 52s702 | Tarde |
| 7 | 14 | Santino Ferrucci | A.J. Foyt Racing | Dallara/Chevrolet/Firestone | 52s715 | Manhã |
| 8 | 20 | Hunter McElrea | Ed Carpenter Racing | Dallara/Chevrolet/Firestone | 52s729 | Manhã |
| 9 | 28 | Marcus Ericsson | Andretti Global | Dallara/Honda/Firestone | 52s823 | Tarde |
| 10 | 76 | Rinus VeeKay | Juncos Hollinger Racing | Dallara/Chevrolet/Firestone | 52s845 | Tarde |
| 11 | 10 | Alex Palou | Chip Ganassi Racing | Dallara/Honda/Firestone | 52s874 | Tarde |
| 12 | 4 | Caio Collet | A.J. Foyt Racing | Dallara/Chevrolet/Firestone | 52s891 | Tarde |
| 13 | 2 | Josef Newgarden | Team Penske | Dallara/Chevrolet/Firestone | 53s018 | Tarde |
| 14 | 5 | Pato O’Ward | Arrow McLaren | Dallara/Chevrolet/Firestone | 53s036 | Tarde |
| 15 | 7 | Christian Lundgaard | Arrow McLaren | Dallara/Chevrolet/Firestone | 53s085 | Manhã |
| 16 | 12 | David Malukas | Team Penske | Dallara/Chevrolet/Firestone | 53s167 | Tarde |
| 17 | 45 | Louis Foster | Rahal Letterman Lanigan Racing | Dallara/Honda/Firestone | 53s177 | Manhã |
| 18 | 18 | Romain Grosjean | Dale Coyne Racing | Dallara/Honda/Firestone | 53s220 | Tarde |
| 19 | 19 | Dennis Hauger | Dale Coyne Racing | Dallara/Honda/Firestone | 53s226 | Manhã |
| 20 | 8 | Kyffin Simpson | Chip Ganassi Racing | Dallara/Honda/Firestone | 53s228 | Manhã |
| 21 | 6 | Nolan Siegel | Arrow McLaren | Dallara/Chevrolet/Firestone | 53s286 | Manhã |
| 22 | 47 | Mick Schumacher | Rahal Letterman Lanigan Racing | Dallara/Honda/Firestone | 53s430 | Tarde |
| 23 | 77 | Sting Ray Robb | Juncos Hollinger Racing | Dallara/Chevrolet/Firestone | 53s509 | Manhã |
| 24 | 15 | Graham Rahal | Rahal Letterman Lanigan Racing | Dallara/Honda/Firestone | 53s519 | Tarde |