Chevrolet e Honda renovam compromisso multianual com a Fórmula Indy e estarão no novo ciclo híbrido até a próxima geração de carros
Depois de anos de especulação sobre permanência, custos e até receios de saída de montadoras, a Fórmula Indy finalmente recebeu uma daquelas notícias que mudam o humor de todo o paddock. Chevrolet e Honda seguirão como fornecedoras oficiais de motores por vários anos a partir de 2027, garantindo estabilidade técnica e financeira justamente no momento em que a categoria se prepara para a chegada do novo carro e do novo pacote híbrido em 2028.
O anúncio feito pela INDYCAR confirma um compromisso multianual das duas fabricantes, acompanhado de investimento direto no desenvolvimento do próximo conjunto de motores V6 2.4 litros biturbo híbridos que equiparão o futuro chassi Dallara IR28. Mais do que uma simples renovação contratual, trata-se de uma sinalização clara de confiança no crescimento recente da categoria.
O presidente da INDYCAR, J. Douglas Boles, tratou o acordo como um marco institucional. Segundo ele, “este é um dia monumental para a INDYCAR, impulsionado por um compromisso massivo e histórico de dois dos nossos parceiros mais confiáveis”. Boles ainda ressaltou que ambas “trabalharam incansavelmente nos últimos 12 meses para chegar a esse ponto” e deixaram claro que estão “totalmente comprometidas com o esporte e investidas em continuar o momento positivo gerado pela série”.
Do lado da Chevrolet, o discurso seguiu a mesma linha de continuidade e transferência de tecnologia. O presidente da General Motors, Mark Reuss, destacou que “a Chevrolet desfruta de um relacionamento longo e bem-sucedido com a INDYCAR como fabricante de motores, e essa extensão abre caminho para a categoria continuar crescendo e para maximizarmos a transferência de tecnologia das pistas para as ruas”. Ele ainda citou que a entrada no sistema de charters fortalece o envolvimento direto da marca na construção do futuro da categoria.
Na Honda, o tom foi mais emocional, reforçando o peso histórico da parceria. David Salters, presidente da Honda Racing Corporation USA, afirmou: “Com profundo respeito pela história e pelo espírito competitivo da INDYCAR, temos orgulho de continuar nosso envolvimento após mais de 30 anos. Esse compromisso de longo prazo fortalece nossa capacidade de desenvolver pessoas e tecnologia no mais alto nível do automobilismo norte-americano”.
Na prática, além do fornecimento de motores, as duas montadoras passam a ter direito a um charter próprio a partir de 2028, o que as coloca formalmente como participantes ainda mais ativas do ecossistema da categoria. É um movimento incomum, mas estratégico, que aproxima fabricantes das decisões técnicas e comerciais do campeonato.
Os números ajudam a dimensionar o peso dessa permanência. A Chevrolet soma 16 títulos de construtores na história da categoria, nove deles desde o retorno em 2012. A Honda, presente desde 1994, ultrapassa três décadas de atuação contínua e conquistou 11 campeonatos de fabricantes, incluindo cinco nas últimas oito temporadas. Em outras palavras, a Fórmula Indy simplesmente não existe em sua forma moderna sem essas duas marcas.
O acordo também resolve um problema silencioso que rondava os bastidores. Sem a garantia de motores para o novo ciclo híbrido, qualquer planejamento técnico para 2028 ficava no ar. Equipes, fornecedores e até possíveis novos fabricantes aguardavam essa definição. Agora, pelo menos a base está assegurada.
A temporada 2026 da Fórmula Indy começa no dia 1º de março, nas ruas de St. Petersburg, e terá ampla cobertura televisiva no Brasil: além dos canais ESPN e do Disney+ Premium, a BAND exibirá as provas na TV aberta, ampliando o alcance da categoria no território nacional.
No fim das contas, a renovação é menos sobre festa e mais sobre estabilidade. Não é uma novidade que muda o grid da noite para o dia, nem resolve sozinha a busca por um terceiro fabricante, mas garante algo que a categoria já aprendeu a valorizar depois de crises passadas: previsibilidade. Antes de sonhar com expansão, novos motores ou revoluções técnicas, o mais importante era simplesmente assegurar que Chevrolet e Honda continuassem ali, lado a lado, no coração do grid e do desenvolvimento técnico da Fórmula Indy.