Foto: Penske Entertainment - James Black
Estreante testa em Homestead, supera a adaptação inicial e comemora: “Foi um grande dia”
Todo piloto que chega à Fórmula Indy vindo do automobilismo europeu passa pelo mesmo teste de fogo: o primeiro oval. Não importa o sobrenome, o currículo ou a bagagem na Fórmula 1. Quando o carro aponta para uma curva feita com o pé cravado a mais de 300 km/h, a experiência é outra. E foi exatamente esse batismo que Mick Schumacher viveu nesta semana, no teste em Miami-Homestead, sua estreia nesse tipo de traçado com a Rahal Letterman Lanigan Racing.
O alemão revelou que passou meses imaginando como seria a sensação. E deixou claro que o respeito vinha antes de qualquer confiança. “Com certeza há muito respeito pelos ovais. Seria burrice não ter”, afirmou. Ainda assim, garantiu que chegou preparado. “Fui com muita energia positiva. Fizemos uma boa preparação específica para ovais, então me senti pronto.”
As primeiras voltas trouxeram estranhamento. A equipe ainda buscava o acerto ideal de altura e equilíbrio do carro, além de lidar com uma pista pouco emborrachada. “A primeira volta foi um pouco estranha. Talvez porque não rodávamos aqui há muito tempo e ainda havia dúvidas sobre o acerto. O carro não estava na melhor condição no começo”, explicou. A evolução, porém, foi rápida. “Melhoramos o carro rapidamente e chegamos a um ponto em que ficamos muito confortáveis. Acho que foi um grande dia.”
Schumacher completou longas sequências de voltas, testou diferentes linhas — por dentro e por fora — e passou por vários ajustes de acerto. Para quem construiu a carreira em circuitos mistos e de rua, encarar curvas constantes a mais de 200 mph (cerca de 320 km/h) exige outro tipo de sensibilidade. “Foi bom sentir como você precisa ser preciso e o quanto depende do carro fazendo exatamente o que precisa fazer.”
O asfalto “verde”, com baixa aderência, gerou bastante deslizamento e alto desgaste de pneus, o que encurtou o programa após o consumo de todos os jogos disponíveis para o Honda #47. Mesmo assim, o saldo foi amplamente positivo. “Ainda há muito para aprender, mas, para um primeiro teste e o primeiro contato com um oval, foi um dia excelente.”
Durante o intervalo das atividades, o piloto também falou às redes sociais da RLL e reforçou a animação. “É meu primeiro teste em um oval. Até agora, tem sido bem positivo. Já completamos muitas voltas, que era exatamente o que queríamos. Fizemos alguns ajustes para melhorar o carro e estou animado para a segunda metade do dia. Ainda temos coisas para testar, mas está sendo muito divertido. Espero ver vocês em breve — com certeza em St. Pete.”
O sobrenome Schumacher sempre carregou certa resistência histórica aos ovais, já que Michael e Ralf questionaram esse tipo de circuito no passado. Mick, no entanto, parece disposto a trilhar um caminho diferente na Fórmula Indy. E, pelo sorriso ao fim do teste, o primeiro passo foi dado com segurança.