
Foto: Penske Entertainment - Joe Skibinski
Após meses de intensas negociações, o anúncio oficial da renovação das montadoras trouxe um suspiro de alívio para o paddock. O presidente da categoria, Doug Boles, ao lado de Jim Campbell (GM) e David Salters (HRC), detalharam como o novo sistema de franquias e os motores de 2028 pretendem mudar o patamar da competição. Mais do que apenas sobrevivência, o tom da conversa foi de estruturação, ainda que com alguns desafios logísticos no horizonte imediato.
Sobre a permanência da Honda e a constante especulação sobre uma possível migração para a NASCAR, David Salters manteve uma postura diplomática, deixando claro que a marca avalia o automobilismo de forma pragmática e contínua. “Avaliamos todas as categorias por seus próprios méritos. Estar na Fórmula Indy não nos impede de fazer outras coisas; estamos entusiasmados com a categoria, mas nossa análise sobre todas as séries é constante”.
A grande novidade, a posse de franquias pelas próprias fabricantes, foi explicada por Jim Campbell como uma ferramenta de flexibilidade técnica. Diferente do modelo tradicional onde a montadora apenas fornece o motor, agora a Chevrolet vislumbra um papel mais ativo. “É uma oportunidade única para nós. Teremos a flexibilidade para determinar como aplicaremos essa franquia no futuro, permitindo desenvolver pessoas e realizar testes focados dentro de uma equipe. Geralmente trabalharemos em parceria com um time existente, mas o ativo nos dá novas chances de desenvolvimento”.
Questionado sobre se esse benefício de ter um carro de fábrica seria estendido a uma eventual terceira montadora, Doug Boles foi cauteloso. O equilíbrio do grid atual é delicado e exigiu consenso entre os donos de equipe para chegar ao número de 27 carros. “É uma resposta complicada. Já tínhamos 25 detentores de franquias e trabalhamos para que o consenso de 27 fosse aceito pelo paddock. Neste momento, não confirmamos a adição de novos carros; vamos ver como as conversas evoluem. Há muitos motivos para entrar na série antes mesmo de discutirmos uma nova franquia”.
Apesar da demora na assinatura dos contratos, o cronograma para os novos motores V6 de 2.4 litros biturbo parece não ter sofrido atrasos críticos. Boles garantiu que os componentes principais já foram decididos e que o trabalho conjunto com a engenharia das marcas está acelerado para colocar os carros na pista em breve. “Estamos no cronograma para começar os testes em pista em algum momento deste verão. O próximo passo é definir os detalhes finais das regras. Temos uma excelente estrutura de comunicação entre a série e as fabricantes, e isso será nossa prioridade absoluta após este anúncio”.
As declarações mostram uma categoria que, embora precise lidar com a oscilação do número de carros no grid para 2026, está pavimentando um caminho de solidez tecnológica para o final da década. A Fórmula Indy parece ter trocado a incerteza pela estratégia: ao dar poder de decisão às fábricas, ela garante que os motores continuem girando com propósito, e não apenas por contrato.