Visual apresentado mantém identidade forte nas pinturas dos carros da Fórmula Indy
Em meio à festa de inauguração do novo McLaren Racing Center, em Indianápolis, a Arrow McLaren aproveitou o palco, as luzes e a presença de convidados para revelar algo que diz muito sobre o momento atual da equipe. Nada de ruptura. Nada de recomeço visual. A palavra-chave para 2026 é continuidade.
E, curiosamente, isso talvez diga mais sobre ambição do que qualquer mudança radical de layout.
Os três carros titulares da equipe na Fórmula Indy — o #5 de Pato O’Ward, o #6 de Nolan Siegel e o #7 de Christian Lundgaard, todos equipados com motores Chevrolet — mantêm a espinha dorsal estética que a Arrow McLaren consolidou na última temporada. O laranja papaya segue dominante, inconfundível à distância, praticamente uma assinatura ambulante da marca no grid.
As alterações são sutis, quase cirúrgicas.
Há um leve aumento da área em papaya, ocupando mais espaço na carroceria, e uma nova linha gráfica nas laterais dos sidepods, criando uma separação mais clara entre patrocinadores e a cor principal. O resultado é um visual mais limpo, mais moderno e com leitura mais fácil, especialmente em movimento e nas transmissões de TV.
Não é uma reinvenção. É um refinamento.
E essa escolha parece intencional.
Depois da melhor temporada recente da equipe, com presença constante no pelotão da frente e briga frequente por pódios, a Arrow McLaren passa a mensagem de que não há motivo para mexer no que está funcionando. A identidade visual já é reconhecida pelo público, pelos parceiros comerciais e pelo próprio paddock. Mudar demais agora seria quase jogar fora um ativo construído com esforço.
A pintura, nesse caso, acompanha a mentalidade esportiva.
Em vez de “novo projeto”, o discurso é “evolução do projeto”.
Os três carros continuam visualmente alinhados, reforçando a ideia de unidade de equipe, mas cada um preserva seus patrocinadores e detalhes particulares. O conjunto forma um grid harmônico: três variações do mesmo conceito, três peças do mesmo quebra-cabeça competitivo.
Durante a apresentação, os modelos foram exibidos lado a lado, sob aplausos, como parte do evento maior que marcou a abertura oficial da nova sede. O simbolismo foi claro: casa nova, estrutura maior, ambições mais altas — mas a essência permanece.
A Arrow McLaren parece ter entendido algo que equipes históricas já aprenderam há décadas: cores também contam histórias.
O papaya não é só estética. É marca. É memória. É posicionamento.
Em um campeonato cada vez mais competitivo e cheio de identidades fortes, ser reconhecido instantaneamente vale quase tanto quanto ganhar posições na pista.
Se 2025 serviu para consolidar respeito, 2026 quer consolidar autoridade.
E, pelo visto, a equipe prefere fazer isso acelerando — não trocando de roupa.
Porque, na Fórmula Indy, continuidade também é uma forma de confiança.