Ex-piloto de F1 terá seu batismo em oval esta semana em Homestead, em um teste privado que marcará o início de sua mais ousada adaptação na Fórmula Indy.
A transição mais aguardada do automobilismo mundial está prestes a atingir um novo e decisivo marco. Mick Schumacher, o filho da lenda de sete títulos Michael Schumacher, enfrentará pela primeira vez a singularidade de um oval nesta semana, em um teste privado no Homestead-Miami Speedway. Será o batismo em um mundo onde as curvas à direita são uma raridade e a sensação de velocidade é amplificada pela ausência de frenagens bruscas. Conforme relatado por Bob Pockrass, da FOX Sports, este é apenas o primeiro passo de uma jornada de aprendizado que culminará com sua estreia oficial em um oval no dia 7 de março, em Phoenix.
“Apenas estou ansioso para ter o primeiro gosto de como é a sensação de um oval”, disse Schumacher durante os dias de produção da Fórmula Indy. “Phoenix será ótimo porque será com todo mundo. Então, vou sentir também como é dirigir no tráfego. Será uma boa abordagem em duas etapas para os ovais.”
A preparação, até agora, se limitou a cerca de um dia em um simulador. O próprio piloto reconhece as limitações: “Obviamente, há apenas até onde você pode ir em um simulador”, comentou. “É só virar à esquerda. Não há muito que você possa realmente aprender com isso. Os solavancos e todo o comportamento do carro são bastante difíceis de replicar.” A humildade diante do desconhecido é a tônica. A abordagem da Rahal Letterman Lanigan Racing (RLL) é metódica: usar Homestead para se familiarizar com a sensação crua, para então chegar ao teste coletivo em Phoenix (17-18 de fevereiro) com uma base sólida.
A mudança para a Fórmula Indy, após sua passagem pela F1 com a Haas, um ano como reserva da Mercedes e duas temporadas no Campeonato Mundial de Endurance com a Alpine, foi motivada pela atração por um novo desafio. “[São] corridas boas, pessoas boas”, avaliou. “A competição é bastante acirrada e forte. Então, estou ansioso para competir com eles e animado para correr.”
Enquanto se prepara para esse novo capítulo, até mesmo a identidade visual de seu carro é uma incógnita divertida. A RLL ainda não revelou a pintura do #30 para 2026, e Schumacher demonstra um pragmatismo típico de quem foca no essencial: “Vi possibilidades. Eu realmente não ligo para a aparência do carro, desde que ele seja rápido.” Em um contraponto bem-humorado às superstições comuns no paddock, ele acrescenta: “Se, você sabe, o carro for rápido, você vai parecer legal.”
O teste em Homestead é muito mais do que uma simples sessão de adaptação; é um ritual de passagem. Nos ovais, a mecânica da pilotagem se funde com a estratégia de uma forma quase pura. A coragem é tão importante quanto a precisão, e a leitura do tráfego é uma arte. Ver um nome de tanto peso internacional submeter-se a esse aprendizado, com a humildade de um novato, é refrescante e empolgante.
Sua postura pragmática – focada na performance bruta, não na estética ou em superstices – parece ideal para essa empreitada. A Fórmula Indy é um esporte onde o feedback do piloto é crucial para o desenvolvimento do carro, e a capacidade de Schumacher de se comunicar de forma técnica, lapidada na F1 e no WEC, será um trunfo valioso para a RLL.
O caminho, no entanto, será íngreme. A competição é feroz, como ele mesmo admitiu, e os especialistas em oval têm anos de experiência em suas veias. Mas há uma narrativa poderosa em construção aqui. Não se trata de um piloto europeu tentando “conquistar” a América, mas de um competidor de alto nível buscando se tornar completo, expandindo seu repertório no que é, talvez, a categoria mais diversificada e exigente do mundo.
Seu sucesso ou fracasso nessa adaptação será um dos grandes subplots da temporada 2026. Cada curva à esquerda em Homestead será um passo em direção a essa resposta.