Will Power Inicia Era Andretti Sem Mágoas e Com Muita Fé

  • Paulo Higino
  • 29 de janeiro de 2026
  • 17:20

Ao deixar a lendária Team Penske após 17 anos, o campeão australiano fala sobre gratidão, novos desafios e sua crença inabalável no projeto da Andretti Global.

A transição mais emblemática da pré-temporada da Fórmula Indy está completa, e ela veio envolta em classe e respeito. Will Power, o detentor do recorde de pole positions e um dos pilares da Team Penske por 17 anos, inicia sua nova jornada na Andretti Global com o pé direito: sem rancores e com uma visão cristalina sobre o passado e o futuro. Em uma conversa reveladora com Marshall Pruett para o RACER, o australiano de 44 anos demonstra que trocar a casa onde venceu tudo não é um rompimento, mas uma evolução natural.

A saída foi por escolha própria, mesmo com uma oferta de renovação de Roger Penske para 2026. “Cara, Roger me deu uma grande carreira”, reflete Power. “Eles só tinham esta situação – ele me ofereceu um ano. Não foi como ‘você não volta’. Ele me ofereceu [a oportunidade] de voltar. Mas [eu já estava] bem adiantado [com a Andretti] naquele ponto.” A motivação foi a busca por um contrato de longo prazo e, talvez mais importante, uma curiosidade profissional: “Eu queria saber: ‘O que posso fazer em outra equipe?'”

O respeito é mútuo e foi selado com gestos significativos. Power revela que, em sua última visita à sede da Penske, a equipe o presenteou com uma placa com a assinatura de todos – um símbolo tangível de uma parceria vitoriosa que rendeu dois títulos, uma vitória nas 500 Milhas, 43 vitórias e a eternização de seu nome no livro de recordes. “Tenho um tremendo respeito por Roger e por toda a organização. Eu definitivamente gostaria de vencê-lo, mas quero vencer a todos”, diz, com a competitividade intacta.

Agora, suas energias estão totalmente voltadas para a Andretti Global, que terminou 2025 como a terceira melhor equipe, atrás de Chip Ganassi Racing e Arrow McLaren. Power não vê isso como um degrau para baixo, mas como uma plataforma com potencial imenso. “Só de estar perto da oficina, eles definitivamente têm todos os ingredientes”, analisa. “Eles têm gente suficiente. Têm pessoas muito inteligentes. O grupo no meu carro é incrivelmente experiente.”

Seu olho clínico de veterano já identifica pontos fortes e áreas de melhoria. Ele elogia a excelência da Andretti nos circuitos de rua (“os melhores do ramo”) e vê com otimismo a chance de contribuir com sua vasta experiência em ovais curtos, especialmente com o teste de dois dias em Phoenix no horizonte. “Para mim, estamos em uma posição muito boa”, afirma, destacando que o desenvolvimento desses carros foi uma de suas marcas na Penske.

Mas Power vai além da análise técnica. Ele emite uma declaração de fé que ecoa pelo paddock: “Tudo o que eles estão fazendo e fizeram, para mim, só vai melhorar. É por isso que eu disse: acredito que a equipe será a melhor equipe nos próximos três anos.” É mais do que otimismo; é a convicção de um campeão que vê a maquinaria por dentro e acredita no seu potencial de ascensão.

A entrevista de Will Power é um respiro de maturidade em um esporte muitas vezes movido por dramas e egos. Sua transição da Penske para a Andretti é um estudo de caso sobre como encerrar ciclos com grandeza. Não há sombra de queixa ou tentativa de queimar pontes, apenas gratidão genuína pelo passado e um entusiasmo contagiante pelo futuro. Essa postura não só honra sua trajetória, mas também coloca a Andretti Global em uma posição privilegiada: eles não contrataram apenas um piloto rápido; adquiriram um líder de cultura, um desenvolvedor de carros e um embaixador de altíssimo nível.

Sua análise da equipe é fascinante por ser tão específica e pública. Ao apontar os pit stops como uma área de foco, ele sinaliza à equipe e aos fãs que seu papel vai além de girar o volante – ele é um observador ativo e um catalisador de melhorias. A menção à força da equipe nas ruas e à oportunidade nos ovais curtos mostra que ele já tem um mapa mental claro de como agregar valor.

A declaração ousada sobre tornar a Andretti “a melhor equipe em três anos” é a cereja do bolo. É um objetivo que eleva as expectativas de toda a organização e coloca uma meta ambiciosa no horizonte. Se a sinergia entre a experiência brutal de Power, a velocidade crua de Kyle Kirkwood e a consistência de Marcus Ericsson funcionar, a Andretti Global pode, de fato, redefinir a hierarquia do grid. A era Power na Andretti começou com elegância, mas promete ser conduzida com a ferocidade competitiva de quem ainda tem muito a provar – principalmente a si mesmo.

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