Foto: Penske Entertainment: Paul Hurley
Will Power estreia com a Andretti Global em Phoenix enquanto a Firestone prepara um dos maiores desafios técnicos da Fórmula Indy recente.
A quarta-feira no Phoenix Raceway marca mais do que um simples teste de pneus. Será ali que Will Power fará sua primeira saída oficial de pista com a Andretti Global, guiando o carro nº 26 Honda, justamente em um dos ovais mais técnicos e exigentes do calendário. O australiano dividirá a atividade com Josef Newgarden, agora novamente como rival direto, levando à pista o nº 2 Chevrolet da Team Penske.
O teste faz parte do programa da Firestone, fornecedora oficial de pneus da Fórmula Indy, que trabalha contra o relógio para definir o composto e a construção ideais para o retorno da categoria a Phoenix nos dias 6 e 7 de março, com o Good Ranchers 250, em um fim de semana compartilhado com a NASCAR. Trata-se de um ciclo de desenvolvimento curto, intenso e cercado de variáveis técnicas inéditas.
Não é a primeira vez que a Firestone coleta dados no oval do Arizona desde o anúncio do retorno da pista ao calendário. Em 6 de novembro, Scott Dixon, da Chip Ganassi Racing, e Alexander Rossi, da Ed Carpenter Racing, já haviam participado de uma sessão inicial. Agora, com Power e Newgarden, a expectativa é validar definitivamente a solução escolhida.
“Este é um teste de verificação”, explicou Cara Krstolic, diretora de engenharia e produção de pneus de competição da Firestone, em entrevista à RACER. Segundo ela, o desafio foi antecipar soluções antes mesmo de a Fórmula Indy confirmar oficialmente Phoenix no calendário. “Do momento em que ouvimos que havia a possibilidade de correr em Phoenix até a corrida em si, foram apenas cerca de seis meses.”
O grande ponto de atenção está no pneu dianteiro direito. Desde a última corrida da categoria em Phoenix, em 2018, o chassi Dallara DW12 ganhou mais de 68 kg (150 libras), principalmente com a chegada do aeroscreen e, mais recentemente, do sistema híbrido, introduzido em 2024. Em ovais curtos, onde o carro passa a maior parte do tempo em curva, esse aumento de peso gera um desgaste severo, especialmente na dianteira direita.
A resposta da Firestone foi ousada: um pneu dianteiro direito mais largo, com quase 1,3 cm (meia polegada) extra em relação ao modelo tradicional usado em ovais curtos. “O feedback das equipes desde a introdução do híbrido é que o pneu dianteiro direito estava no limite”, explicou Krstolic. “Ele esquenta rápido e se torna um desafio em pistas com alto nível de downforce.”
O ganho de largura, segundo a engenheira, oferece mais aderência lateral, melhora o comportamento do carro em curva e permite velocidades ligeiramente maiores com mais controle. Testado em novembro em trechos curtos, longos e em tráfego, o novo pneu foi amplamente aprovado pelos pilotos, tornando-se a principal escolha para Phoenix. Ainda assim, um composto adicional do lado direito seguirá em avaliação.
A complexidade do projeto não se limita ao peso extra dos carros. Phoenix foi totalmente remodelado e recapeado desde a última passagem da Fórmula Indy, o que inviabilizou qualquer reaproveitamento direto de dados antigos. “Temos essencialmente um carro novo em uma pista nova”, resumiu Krstolic. “Hoje há cerca de 20% mais carga sobre o pneu dianteiro direito do que havia no DW12 original.”
Para chegar à solução atual, a Firestone trabalhou em conjunto com Honda, Chevrolet, Dallara e equipes com maior capacidade de simulação. Os números indicaram cargas e velocidades muito superiores às registradas em 2018, exigindo não apenas ajustes finos, mas uma mudança estrutural no conceito do pneu. Além da largura maior, o modelo traz novos tecidos experimentais, que já serão usados no teste de janeiro, no Open Test de fevereiro e também na corrida.
Não se trata, portanto, de uma simples evolução. “Este não é apenas um ajuste”, concluiu Krstolic. “É, na prática, um pneu novo.”
Enquanto a Firestone corre para entregar um produto à altura do desafio, Will Power inicia oficialmente sua nova fase na Andretti Global em um cenário simbólico: um oval curto, exigente, renovado e que representa bem os desafios técnicos da Fórmula Indy moderna.
Para o fã, é um lembrete gratificante de que o automobilismo de elite é um ecossistema complexo. Cada decisão, cada volta de teste, carrega camadas de ciência e colaboração. A sensação que fica é de confiança: a categoria está sendo cuidada. Enquanto Power e Newgarden circulam em Phoenix, eles não estão apenas queimando combustível. Estão validando o futuro – um futuro que, graças a esse trabalho meticuloso nos bastidores, promete ser mais rápido, mais seguro e mais emocionante para todos quando as luzes se apagarem em março.

