Foto: David Land
O Australiano estreia na equipe confiante em disputar o título, enquanto Sueco vencedor da Indy 500 de 2022 encara 2026 como ano de reconstrução pessoal e esportiva.
Durante a preparação para as 24 Horas de Daytona, David Land conversou com dois nomes centrais da Andretti Global para a temporada 2026 da Fórmula Indy, em um momento que sintetiza bem o clima da equipe: expectativa alta de um lado e necessidade de reconstrução do outro. A chegada de Will Power à Andretti talvez seja a maior história da offseason da categoria, não apenas pelo peso do nome, mas pelo que essa combinação pode representar em termos de performance imediata.
Power fez seu primeiro teste com a Andretti em Phoenix há poucos dias e não escondeu o otimismo ao falar com a imprensa no fim de semana do Rolex 24, em resposta a uma pergunta de Bob Pockrass. Para o australiano, a Andretti já mostrou ser extremamente forte em circuitos de rua, e sua bagagem em ovais pode ser um diferencial importante para transformar bons desempenhos em uma campanha real de título. “Já estive na fábrica, conheci as pessoas, fiz um teste. Estou na IndyCar há muito tempo, então sei que sempre há trabalho a fazer, mas eles têm potencial, com certeza”, afirmou. Power destacou que o teste em Phoenix foi relevante não só pelo desenvolvimento técnico, mas também por aspectos básicos que fazem diferença ao longo do ano. “Foi importante para desenvolvimento e até para coisas básicas como conforto no cockpit. Já estamos fazendo ajustes com base nisso”.
O australiano também reconheceu que o calendário burocrático atrasou o processo. “Esperar até 1º de janeiro foi difícil. Estaríamos mais avançados se tivéssemos começado antes, mas estamos colocando muita coisa em prática agora”, disse, deixando claro que a adaptação está em andamento, mas dentro de um cronograma que ele considera suficiente para chegar competitivo à abertura do campeonato.
Do outro lado da garagem, Marcus Ericsson vive um momento completamente diferente. Campeão das 500 Milhas de Indianápolis, o sueco chega a 2026 carregando o peso de uma temporada anterior extremamente difícil, que ele próprio classifica como a pior de sua trajetória na Fórmula Indy. “2026 é um grande ano de recomeço para mim. Entro com um peso nas costas, querendo mostrar que sou um piloto de topo da categoria”, afirmou. Ericsson foi direto ao relembrar o ponto de ruptura da temporada passada. “Depois das 500 Milhas, com a desclassificação, entrei numa espiral negativa e não conseguimos sair disso”.
Apesar disso, o longo período fora das pistas foi visto como uma oportunidade rara de reflexão. “Esse longo período fora das pistas foi bom para dar um passo atrás, pensar em como voltar mais forte, fazer outras coisas e retornar com fome e confiança”, explicou. A chegada de Will Power ao time também é vista como algo positivo. “Desde o início do ano temos falado bastante e ele já esteve algumas vezes na fábrica. Ele é um personagem interessante, muito experiente. Dá para entender por que ele está nesse nível há tantos anos — ele ainda tem aquele fogo interno”.
A Andretti Global entra em 2026 com dois discursos distintos que se complementam: Power fala em potencial de título, sustentado por experiência e confiança, enquanto Ericsson fala em reconstrução, motivado pela necessidade de provar novamente seu valor. Entre ambição e redenção, a equipe parece reunir ingredientes que, se bem executados, podem recolocá-la no centro da disputa da Fórmula Indy.
