TIM CINDRIC RETONA À PENSKE COMO ESTRATEGISTA DE SCOTT MCLAUGHLIN

Foto: Penske Entertainment - Joe Skibinski

  • Leonardo Alves
  • 29 de janeiro de 2026
  • 19:08

Um velho conhecido, demitido em 2025, é a aposta da equipe na retomada da competitividade em 2026

A Team Penske promoveu um movimento silencioso, mas de enorme peso esportivo, ao confirmar o retorno de Tim Cindric ao time para a temporada 2026 da Fórmula Indy. Após encerrar, no fim de 2024, uma longa e influente passagem como presidente esportivo do grupo de Roger Penske, Cindric volta agora em um papel bem mais específico — e talvez ainda mais decisivo: será o estrategista de corrida de Scott McLaughlin, no carro nº 3, atuando exclusivamente nos fins de semana de prova.

A informação foi revelada pela RACER, em reportagem de Marshall Pruett, e chama atenção não apenas pelo retorno em si, mas pelo contexto. Cindric deixou a estrutura da Penske em meio a um período turbulento, após quase 25 anos liderando os programas do time em diversas categorias. Desde então, vinha avaliando se seguiria ou não no automobilismo, buscando um formato que lhe oferecesse mais flexibilidade pessoal sem abandonar a competição.

No fim do ano, eu disse a mim mesmo: preciso tomar uma decisão — ou me aposento do automobilismo e sigo a vida, ou faço algo em 2026”, contou Cindric à RACER. “Eu sentia falta da competição, mas queria flexibilidade. Já estive em funções de tempo integral por muito tempo

O caminho de volta começou de forma inesperada, com um contato direto ao presidente da Team Penske, Jonathan Diuguid, após Cindric reconsiderar a ideia de não retornar à equipe. “Depois do início do ano, mandei uma mensagem ao JD dizendo que estava seriamente considerando seguir como estrategista de corridas. Achei que talvez eles já estivessem com tudo resolvido, mas me coloquei à disposição para conversar”, revelou.

Apesar do histórico recente conturbado, Diuguid deixou claro que o peso esportivo de Cindric foi determinante.

Meu trabalho é garantir que os melhores jogadores estejam em campo”, afirmou. “Às vezes, decisões difíceis geram conversas difíceis, mas isso não significa que estejam erradas. Fiquei surpreso quando o Tim entrou em contato, mas fiquei muito feliz que ele o tenha feito”.

A ligação entre Cindric e Scott McLaughlin é profunda e antiga. Foi ele o primeiro grande elo do neozelandês com a estrutura da Penske ainda nos tempos da Supercars australiana, além de figura central na transição do piloto para a Fórmula Indy após seus títulos e a vitória nas 1000 Milhas de Bathurst pela DJR Team Penske. Pela primeira vez, McLaughlin terá Cindric dedicado exclusivamente à estratégia do seu carro, sem o peso da gestão global da equipe.

Isso parece o presente mais incrível possível”, disse McLaughlin. “É uma honra imensa ter o Tim conosco. Ter alguém com esse nível de foco, competitividade e experiência dedicado à minha estratégia de corrida é algo enorme”.

Diuguid reforçou que a escolha faz parte de uma reestruturação mais ampla da equipe. “Tudo foi feito com propósito. Não anunciamos estrategistas antes justamente para termos certeza das decisões. Colocar o Tim com o Scott nos deixa em uma posição extremamente forte”, explicou.

Além do retorno de Cindric, a Penske também definiu toda a sua estrutura técnica para 2026. Josef Newgarden mantém continuidade com Luke Mason como engenheiro de corrida e o próprio Jonathan Diuguid como estrategista. No carro nº 3, Raul Prados assume como engenheiro de corrida de McLaughlin, enquanto Cindric comandará a estratégia. Já David Malukas, no carro nº 12, contará com James Schnabel como engenheiro e Travis Law como estrategista, em sua estreia na Fórmula Indy após passagem pelo programa de endurance da Porsche Penske Motorsport.

O retorno de Tim Cindric não é apenas simbólico. É um indicativo claro de que a Team Penske está disposta a revisitar suas próprias raízes para recuperar protagonismo na Fórmula Indy. Para McLaughlin, pode ser o ajuste fino que faltava. Para a categoria, é mais um capítulo de como bastidores bem resolvidos costumam refletir diretamente no cronômetro.

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