Scott McLaughlin Ajusta o Foco para Reconquistar o Topo

Foto: Scott McLaughlin - BITNILE.com Grand Prix of Portland - By: Chris Jones

  • Paulo Higino
  • 28 de janeiro de 2026
  • 20:42

Após uma temporada abaixo das expectativas em 2025, o piloto da Penske mira a consistência de campeão para 2026, com autocrítica e confiança na estrutura renovada da equipe.

A trajetória de Scott McLaughlin na Fórmula Indy encontrou um inesperado quebra-mola em 2025. Após uma ascensão meteórica que culminou em um brilhante terceiro lugar no campeonato de 2024 – com três vitórias e a pole position nas 500 Milhas de Indianápolis –, o neozelandês viu sua progressão estagnar, terminando a última temporada em um atípico 10º lugar com o Chevrolet #3 da Team Penske. Agora, a 30 dias da largada de 2026, McLaughlin faz um balanço honesto do que falhou, mas mantém a chama da ambição intacta.

Em entrevista a Marshall Pruett para o RACER, McLaughlin não buscou desculpas. Reconheceu que, apesar de um início sólido em 2025 – com pole em St. Petersburg e três pódios –, sua execução e a da equipe não foram suficientes. “Comecei o ano provavelmente com o início mais consistente que já tive”, disse. “Mas havia um cara (Alex Palou) que venceu cinco corridas seguidas… então meu objetivo de começar forte foi meio que anulado.”

O piloto também abordou, com rara franqueza, o turbilhão interno que se seguiu ao escândalo das irregularidades nos atenuadores em maio, que levou à demissão de três líderes da Penske. “É óbvio que maio aconteceu e teve mudança na equipe. Você entra na parte mais movimentada do ano com pessoas que não estavam nesses [novos] cargos… foi um pouco caótico por um bom tempo. E quando finalmente começamos a encontrar nosso ritmo, a equipe começou a melhorar, mas eu não executei bem o suficiente durante a temporada.”

Essa autocrítica precisa é o ponto de partida para a temporada que se aproxima. McLaughlin evita proclamar vitórias ou definir uma posição específica como meta. Seu foco é menos no destino e mais na qualidade da jornada. “Não acho que haja falta de ritmo. Não esqueci como dirigir”, afirmou, demonstrando a confiança fundamental de um piloto de elite. “Mas todo mundo saía dizendo: ‘Ei, você vai ganhar o campeonato’. Tenho que vencer o campeonato para que este seja um bom ano? Não, não preciso.”

A chave, para ele, é um conceito aparentemente simples, mas difícil de dominar: a execução consistente no mais alto nível. “É a mesma coisa do ano passado. Só quero sair e executar, ser rápido, estar lá por perto e ver onde vamos parar… minha execução não foi alta o suficiente no ano passado. A da equipe também não. Precisamos ser melhores, e acho que seremos.”

Um motivo extra para esse otimismo prático está na equipe do #3, que recebe Raul Prados como novo engenheiro de corrida, parte da reconfiguração do time após as saídas de 2025. É uma nova peça na busca pela sinergia perfeita.

A reflexão pública de Scott McLaughlin é um exemplo raro e valioso de maturidade esportiva. Em um ambiente onde narrativas de culpa são comuns, ele assume sua parcela de responsabilidade sem dramatismo, reconhece os fatores externos sem usá-los como muleta e, acima de tudo, recalibra suas expectativas com um pragmatismo de campeão.

Sua análise sobre o domínio inicial de Palou é crucial. Ela mostra como, em um campeonato tão equilibrado quanto o da Fórmula Indy, a excelência nem sempre é suficiente; é preciso uma perfeição quase sobre-humana para superar uma fase de domínio de um rival. Isso não o desculpa, mas contextualiza o desafio monumental que era.

O maior aprendizado, no entanto, vem de seu foco na “execução”. McLaughlin entende que títulos não são conquistados com discursos no início do ano, mas com uma infinidade de micro-decisões certas a cada sessão de treinos, volta de qualificação e corrida. A palavra “consistência” é o mantra de todo campeão, e ele parece tê-la abraçado após sentir na pele o custo de perdê-la.

A estabilização interna da Penske, agora com uma nova hierarquia já estabelecida, e a chegada de um novo engenheiro como Raul Prados criam o cenário ideal para esse recomeço. McLaughlin não precisa reinventar-se; precisa retornar à sua melhor versão, aquela que assustou o grid em 2024.

Para os fãs, é uma perspectiva empolgante. Um Scott McLaughlin humilde, com fome e focado na execução minuciosa, é um adversário perigosíssimo para qualquer um, inclusive para Alex Palou. A temporada de 2026 promete ser uma batalha de consistência, e o piloto da #3 acaba de avisar que está recalculando sua rota direto para a frente do grid. A contagem regressiva para St. Petersburg ganhou mais um capítulo.

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