Foto: Andretti Global
Will Power deixa Phoenix confiante após a estreia oficial com a Andretti Global e descreve a experiência como um recomeço necessário.
Foram 16 anos, nove meses e quatro dias entre a última vez que Will Power estreou oficialmente em pista por uma nova equipe da Fórmula Indy e o momento vivido na última quarta-feira, em Phoenix Raceway, já vestindo as cores da Andretti Global. Tempo suficiente para transformar aquele jovem australiano em um dos nomes mais vitoriosos da história recente da categoria — e, ainda assim, incapaz de eliminar o frio na barriga de um novo começo.
Em abril de 2009, Power surgiu como solução temporária da Team Penske, substituindo Hélio Castroneves, então envolvido em um processo por evasão fiscal. O sexto lugar logo na estreia abriu caminho para uma trajetória lendária: dois títulos, uma vitória nas 500 Milhas de Indianápolis e o status de maior pole-position da história da IndyCar. Agora, após decidir deixar Penske no meio de 2025, o australiano inicia aquilo que pode ser o capítulo final de sua carreira — desta vez no carro nº 26 Honda da Andretti.
A espera pelo fim da cláusula de não concorrência adiou o primeiro contato com a equipe até 1º de janeiro, e poucos dias depois veio o batismo oficial, durante o teste de pneus da Firestone no oval de uma milha do Arizona. Ali, Power voltou a sentir algo que o tempo quase havia apagado. “Parecia o primeiro dia de aula”, contou à RACER. “Equipe nova, aprendendo nomes, sem se sentir totalmente confortável ainda. Mas isso é bom. Não existe acomodação. Você precisa estar ligado.”
A impressão inicial foi amplamente positiva. Power destacou a qualidade técnica do grupo, elogiou o chefe de equipe, o engenheiro e a profundidade do time ao redor do carro. “Tem gente ali que poderia facilmente ser crew chief”, afirmou, deixando claro que a estrutura encontrada na Andretti atende ao nível de exigência que ele carrega consigo. Na pista, o carro mostrou um comportamento sólido, equilibrado e previsível — exatamente o que se espera de um primeiro teste.
As condições, no entanto, limitaram parte do trabalho. As baixas temperaturas reduziram o tempo útil de pista e impediram avaliações mais profundas, incluindo uma leitura completa do acerto para ovais curtos e a adaptação plena ao motor Honda V6 biturbo, algo novo para Power após anos com a Chevrolet. Ainda assim, o saldo foi positivo. “Deu para resolver coisas básicas de conforto, sentir o carro, fazer voltas, pensar bastante no que vem pela frente.”
Aos 44 anos, Power admitiu que o nervosismo inicial teve menos a ver com velocidade e mais com o ambiente. Estrear por uma nova equipe, cercado de rostos ainda pouco familiares, exigiu um breve período de adaptação. Mas, ao final do dia, a sensação que ficou foi a de pertencimento. “É sempre o desconhecido que gera nervosismo”, explicou. “Depois que você termina o teste, percebe o quanto ama fazer isso. É por isso que eu quis continuar.”
Phoenix não entregou todas as respostas, mas cumpriu um papel essencial: reforçar a convicção de que a mudança fazia sentido. Power deixou o Arizona confiante, motivado e com dados suficientes para construir os próximos passos junto à sua nova “família” na Fórmula Indy. Um primeiro dia simples, discreto, mas carregado de significado — exatamente como costumam começar as grandes histórias.


