PREMA NÃO PARTICIPARÁ DO CONTENT DAY DA INDY EM INDIANÁPOLIS

Foto: Penske Entertainment - Chris Jones

  • Paulo Higino
  • 26 de janeiro de 2026
  • 17:29

Ausência em evento oficial voltado a produção de conteúdo da IndyCar, alimenta especulações sobre o futuro da equipe na categoria e um possível adiamento no início de sua temporada 2026.

A pré-temporada da Fórmula Indy ganhou um capítulo de suspense e preocupação. A PREMA Racing, a equipe italiana que ingressou na categoria em 2025 com grandes ambições, confirmou que não participará dos cruciais “Content Day” da categoria, marcados para esta terça e quarta-feira em Indianápolis. A ausência, conforme reportado por Marshall Pruett para a RACER, é um forte indício de que a equipe pode não estar pronta para a largada do campeonato em St. Petersburg, no final de fevereiro.

O evento é mais do que um simples encontro. É a primeira e principal reunião oficial do ano, onde todos os pilotos da temporada completa – e até mesmo os já confirmados apenas para as 500 Milhas de Indianapolis – interagem com a mídia e realizam as filmagens em estúdio para a FOX Sports, que utiliza esse material ao longo de todas as transmissões da temporada. É, essencialmente, o pontapé inicial midiático do ano.

A confirmação de que a ausência não impede a participação no campeonato traz pouco alívio, dado o contexto. A PREMA, que se estabeleceu como uma potência nas categorias de base da Europa, teve uma estreia turbulenta na Fórmula Indy em 2025, enfrentando dificuldades financeiras e a recente saída de sua liderança global. Isso deixou o CEO da divisão IndyCar, Piers Phillips, na missão de buscar um novo proprietário para levar a equipe adiante, mas sem o envolvimento da matriz italiana PREMA.

A reportagem do RACER entende que a equipe, com sede em Indiana, está em negociações-chave com um novo dono. Pular um compromisso tão visível e simbólico quanto o Content Day sugere que essas negociações estão em um momento crítico e que a preparação para 2026 está severamente atrasada. A hipótese que se coloca é de que a equipe, possivelmente sob um novo nome, possa iniciar sua temporada apenas após a etapa de abertura em St. Petersburg.

O cenário também coloca um enorme ponto de interrogação sobre os pilotos Callum Ilott e Robert Shwartzman, que têm contrato com a PREMA. Caso a equipe seja salva por uma nova propriedade, não está claro se os dois permaneceriam no projeto. São dois talentos consideráveis, e suas situações serão acompanhadas de perto por todo o paddock.

A notícia sobre a PREMA é o tipo de desenvolvimento que entristece qualquer fã que preze pela saúde e pela profundidade do grid. A entrada da equipe no ano passado foi recebida com otimismo, como uma injeção de prestígio internacional e know-how vencedor. Ver essa aventura definhar tão rapidamente, ao ponto de colocar em risco uma participação integral na temporada, é um lembrete duro das realidades econômicas brutais que cercam o esporte a motor de alto nível.

A ausência nos Dias de conteúdo é sintomática. Em um esporte que depende tanto da visibilidade e do marketing, abrir mão dessa exposição gratuita e de qualidade no início do ano é um ato de desespero ou de profunda reestruturação. Isso priva não apenas a equipe, mas também seus patrocinadores e pilotos, do valioso “tempo de tela” que ajudaria a construir narrativas para 2026.

Há, no entanto, um fio de esperança. O fato de estarem em negociações sérias por uma nova propriedade indica que há interesse em salvar a operação. Uma saída controlada da matriz italiana, embora signifique a perda de um nome emblemático, pode ser o recomeço necessário com bases financeiras mais sólidas. O cenário ideal seria uma transição rápida, que permitisse à equipe – talvez rebatizada – se preparar minimamente para uma entrada ainda no primeiro terço do campeonato.

Para a Fórmula Indy, perder uma equipe seria um retrocesso. O grid de 11 equipes integrais em 2025 era uma conquista. Torcemos para que a habilidade de Piers Phillips e o apelo da categoria consigam atrair um novo investidor a tempo. Enquanto isso, os olhos se voltam para o destino de Ilott e Shwartzman. Em um paddock com assentos limitados, o possível surgimento de dois pilotos talentosos no mercado de repente poderia ser o único revés positivo de toda essa situação incerta. A contagem regressiva para St. Petersburg continua, mas para a PREMA, o relógio parece correr muito mais rápido.

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