PREMA CONTRA O RELÓGIO

Foto: Penske Entertainment - Joe Skibinski

  • Leonardo Alves
  • 14 de janeiro de 2026
  • 22:33

Mudança no comando expõe incertezas e coloca o programa da Fórmula Indy sob pressão máxima para 2026

A PREMA Racing atravessa um dos momentos mais delicados de sua história recente. A equipe italiana, que estreou na Fórmula Indy em 2025 com enorme expectativa, passou por uma reviravolta profunda em sua estrutura de comando com a saída de Angelo Rosin, cofundador da PREMA, de seu filho Rene Rosin e de Angelina Ertsou, parceira de Rene, deixando um vácuo inesperado na gestão cotidiana da organização. Embora os motivos oficiais não tenham sido revelados, o impacto vai muito além do programa norte-americano, atingindo toda a rede global da PREMA no automobilismo.

Desde que foi adquirida pela DC Racing Solutions (DCRS), empresa liderada por Deborah Mayer e Claudio Schiavoni, a PREMA passou a operar sob um modelo corporativo mais amplo, mantendo presença forte nas categorias de base europeias, na Fórmula 2 da FIA e até no endurance. A incursão na Fórmula Indy, a primeira grande aposta da DCRS fora da Europa, foi estruturada por Piers Phillips, CEO da PREMA IndyCar, com a construção de uma moderna sede em Indiana e a formação de uma equipe de dois carros Chevrolet. Em pista, apesar das dificuldades, o projeto teve lampejos importantes, como a pole position extremamente popular nas 500 Milhas de Indianápolis.

O problema é que os bastidores nunca acompanharam o brilho pontual dos resultados. A temporada de estreia foi marcada por dificuldades financeiras, rumores de congelamento de recursos por parte da DCRS e, ao longo do segundo semestre, o reconhecimento interno de que seria necessário encontrar um novo investidor para manter o time vivo em 2026. Embora o plano inicial fosse manter o nome PREMA, tudo indica que cresce o desejo de vender a operação para um novo proprietário, transformando o time em um projeto totalmente independente. Há interessados, negociações em andamento e alguns nomes de peso já descartados, mas o tempo corre de forma implacável.

O maior inimigo da PREMA agora é o calendário. Com testes importantes em fevereiro e a abertura da temporada marcada para St. Petersburg entre 27 de fevereiro e 1º de março, a equipe precisa garantir contratos de motores e pneus até o fim de janeiro. Chevrolet e Honda costumam exigir esse compromisso com antecedência, envolvendo valores na casa de US$ 1,45 milhão por carro apenas para os motores, além de outro investimento milionário para assegurar os pneus Firestone ao longo das 17 etapas. Sem isso, os carros 83 e 90, pilotados por Robert Shwartzman e Callum Ilott, mesmo com contratos válidos, simplesmente não alinham. Para complicar, outras equipes Chevrolet já observam com interesse os motores reservados à PREMA, que poderiam ser realocados — inclusive abrindo vagas no grid caso o projeto não sobreviva.

Do ponto de vista de quem acompanha a Fórmula Indy de perto, a situação da PREMA é um alerta claro sobre o custo real de competir na categoria. O potencial esportivo existe, a estrutura foi montada e os pilotos mostraram valor, mas sem estabilidade financeira e clareza de comando, até projetos ambiciosos ficam à deriva. Se a solução não vier rápido, a PREMA corre o risco de ser lembrada não pelo impacto que poderia ter causado na Indy, mas como mais um exemplo de que, na principal categoria de monopostos dos EUA, talento precisa caminhar lado a lado com sustentação sólida fora da pista.

Fonte: Marshall Pruett/Racer.com

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