O NOVO SISTEMA HÍBRIDO SERÁ PEÇA-CHAVE DO PROJETO 2028 DA INDY

Foto: Penske Entertainment - Matt Fraver

  • Leonardo Alves
  • 2 de janeiro de 2026
  • 10:42

Nova versão do sistema híbrido promete dobrar as capacidades do modelo atual, mais energia, maior impacto e decisões.

Se quase todas as peças do quebra-cabeça do carro de 2028 da Fórmula Indy já estão encaixadas — novo chassi, novo motor e nova filosofia técnica — o sistema híbrido segue como o capítulo mais sensível, complexo e decisivo desse projeto. Não por acaso, é nele que a categoria aposta para redefinir o equilíbrio entre potência, estratégia e espetáculo.

Segundo Mark Sibla, vice-presidente sênior de competição e operações da IndyCar, o ponto de partida já está definido: um sistema de até 60 volts, mas com um salto expressivo na capacidade de armazenamento de energia. A versão atual, introduzida em julho de 2024, cumpriu seu papel inicial. Foi robusta, confiável e viável dentro das limitações do chassi Dallara DW12, que nunca foi concebido para receber um ERS. Agora, porém, o foco é outro. A palavra-chave passou a ser evolução.

A chamada Versão 2 do híbrido nasce com um objetivo claro: mais energia disponível por mais tempo. Hoje, o sistema oferece cerca de cinco segundos de liberação de potência. Para 2028, a meta é chegar a 10 segundos ou mais, dobrando a duração e ampliando o impacto real do híbrido nas disputas em pista. Isso muda completamente o jogo, especialmente em ovais, circuitos de rua e estratégias de ataque e defesa.

O coração dessa transformação está no ESS (Energy Storage System). Na Versão 1, a IndyCar recorreu aos supercapacitores, não por escolha ideal, mas por falta de espaço físico no DW12. No novo IR28, o sistema continuará instalado no mesmo local — o bellhousing, logo atrás do motor a combustão, acima da MGU (Motor Generator Unit) —, mas com um projeto redesenhado, maior e mais eficiente. O ganho de espaço permitirá empacotar mais unidades de armazenamento, criando um verdadeiro banco de energia.

Esse avanço abre caminho para outro salto igualmente relevante: potência. Hoje, o híbrido entrega cerca de 60 hp, apesar de a MGU — desenvolvida pela Empel — ser tecnicamente capaz de fornecer entre 100 e 150 hp. O gargalo nunca foi o motor elétrico, e sim a capacidade do sistema de armazenar e liberar energia. Com o ESS ampliado, a IndyCar trabalha com a possibilidade de chegar a 120 hp de pico, dobrando a potência elétrica disponível.

Mas, como tudo na Fórmula Indy, nada é simples. Existe um equilíbrio delicado entre potência máxima e duração da entrega. Quanto maior o pico, menor tende a ser o tempo de uso contínuo. Encontrar a combinação ideal — aquela que melhora o produto de corrida sem gerar artificialidade — é o desafio central dos engenheiros e dirigentes neste momento.

Outro ponto que está na mesa é o futuro do Push to Pass. Atualmente, os pilotos contam com dois recursos de incremento de potência: o híbrido, presente em todas as pistas, e o aumento temporário de pressão do turbo nos mistos e ruas. Para 2028, a IndyCar avalia a possibilidade de unificar tudo no sistema híbrido, deixando o cockpit com apenas um botão de ataque. Seria uma mudança conceitual profunda, que altera leitura de corrida, gestão de energia e até o comportamento dos pilotos em disputas diretas.

Do ponto de vista técnico, a categoria já avançou no diálogo com fornecedores. Dois grupos despontam como favoritos, ambos apresentando soluções semelhantes: menos peso, mais capacidade de armazenamento e tecnologia pronta para evoluir ao longo do ciclo do carro. A intenção da IndyCar é clara: ter protótipos do híbrido Versão 2 prontos até o fim da primavera, integrados desde o início aos testes do novo chassi.

Isso não é detalhe. Ter o sistema híbrido instalado desde os primeiros quilômetros é fundamental para entender distribuição de peso, comportamento dinâmico, entrega de potência e confiabilidade. A Fórmula Indy não quer repetir erros do passado nem improvisar soluções em cima da hora. O aprendizado de 2024 para cá deixou claro que o híbrido não pode ser um acessório — ele precisa nascer como parte estrutural do carro.

No fim das contas, o recado da IndyCar é direto: mais energia significa mais possibilidades. Mais estratégia, mais oportunidades de ultrapassagem, mais envolvimento do piloto e, principalmente, mais identidade tecnológica para a categoria no caminho rumo a 2028. O híbrido deixou de ser um compromisso com o presente. Agora, é uma aposta no futuro da Fórmula Indy.

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