Foto: David Land
Piloto do #6 da Arrow Mclaren responde às declarações do seu chefe de equipe a imprensa, e aposta em quilometragem na pré-temporada para dar um salto qualitativo na temporada 2026.
Durante a preparação para as 24 Horas de Daytona, em entrevista a David Land, Nolan Siegel comentou publicamente pela primeira vez as declarações de Tony Kanaan ao Motorsport.com, nas quais o dirigente foi direto ao afirmar que o jovem piloto precisa performar, terminar entre os dez primeiros no campeonato de pontos e, caso contrário, pode perder o assento. A resposta de Siegel foi tão franca quanto reveladora sobre seu estado de espírito e sua leitura do momento.
“Eu li esse artigo também. E não tive nenhum aviso sobre isso até ler a matéria, mas as coisas são como são”,
A resposta deixou claro que a fala de Kanaan não foi previamente comunicada internamente. Ainda assim, Siegel minimizou o peso externo da cobrança: “As pessoas dizem: ‘Ah, isso adiciona muita pressão para você’. Mas, sinceramente, não adiciona. Toda a pressão já vem de mim mesmo”. Para ele, o discurso público não muda a forma como encara o trabalho.
“Não é como se, porque alguém disse que eu preciso estar no top 10, eu vá forçar mais para estar lá. Eu já estou dando tudo o que tenho”.
A fala expõe um ponto importante do debate: mais do que velocidade pura, Siegel entende que 2025 não foi um problema de ritmo, mas de execução.
“Estou realmente animado para 2026. Acho que o ritmo foi bom no ano passado, a execução é que não foi. Estamos trabalhando nisso”
Na visão do piloto, o desempenho existiu, mas faltou transformar potencial em resultados consistentes — exatamente o tipo de evolução que dirigentes costumam cobrar quando falam em metas objetivas, como um top 10 no campeonato.
Outro aspecto central levantado por Siegel foi a falta de testes, algo que, segundo ele, impactou diretamente sua evolução.
“Eu não pilotei absolutamente nada de Nashville 2024 até St. Pete no ano passado, e isso é muito tempo. Que atleta profissional fica cinco meses sem treinar?”
A comparação com outros esportes ajuda a dimensionar o problema: em um ambiente cada vez mais competitivo na Fórmula Indy, tempo fora do carro pode significar perder referências preciosas.
Nesse contexto, a participação em programas de endurance aparece como um diferencial estratégico. Siegel fez questão de destacar o papel da Inter Europol, que o colocou em um protótipo LMP2 no Asian Le Mans Series e em Daytona. “Sou muito grato por a Inter Europol ter me colocado no carro P2… Parte dessa empolgação é poder pilotar algo na offseason da IndyCar”, explicou. Com passagens por Dubai, Abu Dhabi, Daytona, Sebring e St. Petersburg, o piloto chega a 2026 com algo que não teve antes: quilometragem.
“Não é fácil encaixar isso na agenda, mas estou fazendo o possível e fico animado só de poder pilotar um carro de corrida”, concluiu. No fim, a resposta de Siegel não rebate diretamente Kanaan, mas deixa claro que, para ele, a cobrança externa apenas ecoa um compromisso que já existe internamente. Em um cenário onde a Fórmula Indy exige resultado imediato, a aposta do piloto é simples: menos discurso, mais pista.
