Foto: Andretti Global
Mesmo com frio intenso e cronograma encurtado, teste de verificação cumpre objetivos e deixa fornecedora confiante para a corrida de março.
O teste de verificação da Firestone em Phoenix Raceway esteve longe do cenário ideal: frio intenso, início antecipado e encerramento pouco depois do meio-dia. Ainda assim, para a fornecedora oficial de pneus da Fórmula Indy, o trabalho foi mais do que suficiente para bater o martelo sobre os compostos e construções que serão usados na primeira corrida da categoria no oval do Arizona em oito anos, marcada para março, em um fim de semana conjunto com a NASCAR.
“Tirando o frio, foi um bom teste”, resumiu Cara Krstolic, diretora de engenharia e produção de pneus de competição da Firestone e engenheira-chefe de automobilismo, em entrevista à RACER. Segundo ela, apesar da necessidade de encurtar significativamente o cronograma, todas as simulações consideradas essenciais foram realizadas. “Conseguimos fazer todas as stints longas que estavam no planejamento. Tudo o que era realmente importante foi cumprido.”
A preocupação começou ainda na noite anterior, quando a previsão indicava possibilidade de chuva a partir das 11h. A solução foi simples e eficaz: antecipar o início das atividades. O teste começou pontualmente às 8h, permitindo que as equipes completassem trechos de acerto, seguidos por simulações de corrida com tanque cheio, fundamentais para a coleta de dados que embasarão o Open Test de Phoenix, marcado para 18 e 19 de fevereiro.
Nas garagens, o clima era de inverno. Mecânicos da Andretti Global, trabalhando no carro de Will Power, e da Team Penske, com Josef Newgarden, passaram o dia agasalhados. Na pista, o ar frio trouxe um efeito colateral conhecido: aumento do downforce no oval de uma milha, beneficiando tanto o Chevrolet nº 2 quanto o Honda nº 26.
“Não chegou a fazer 60 graus Fahrenheit em nenhum momento”, explicou Krstolic. “Mas, com temperaturas mais baixas, você acaba tendo mais carga aerodinâmica e, teoricamente, consegue virar um pouco mais rápido. Mesmo assim, os tempos de volta foram muito semelhantes aos de novembro. O mais importante é que obtivemos os dados necessários para entender as diferenças entre compostos e construções.”
O próprio Josef Newgarden, vencedor da corrida de Phoenix em 2018, reforçou a leitura positiva do dia. “Estava frio, mas totalmente pilotável”, comentou. “Algo entre 55 e 60 graus, talvez diferente do que veremos em março, mas deu para rodar bastante e cumprir todas as etapas que a Firestone precisava. É bom voltar ao trabalho com a equipe. Ainda é cedo, mas a sensação é de que a temporada já está logo ali — e, em muitos aspectos, ela realmente está.”
Com o encerramento das atividades por volta das 12h30, Krstolic passou o restante da tarde consolidando um relatório detalhado com as conclusões do teste, que será compartilhado com todas as equipes da Fórmula Indy antes do próximo compromisso em pista. Ao mesmo tempo, o telefone não parou de tocar. Em Akron, sede da Firestone, o time de produção aguardava apenas um sinal verde para iniciar a fabricação dos pneus que calçarão todo o grid.
“Eles nos mandavam mensagens durante o teste”, contou Krstolic. “‘Já decidiram? Qual composto vamos usar?’ Agora vamos voltar para Akron e entregar todos os dados à nossa equipe de manufatura para que eles comecem a trabalhar imediatamente nesses pneus.”
Com isso, a Firestone considera o dever cumprido. Mesmo sob condições adversas, Phoenix passou no teste — e os pneus que marcarão o retorno da Fórmula Indy ao oval do Arizona já têm aprovação final.


