Ferrucci elogia estreante Caio Collet na Foyt

Foto: Penske Entertainment: Paul Hurley

  • Paulo Higino
  • 28 de janeiro de 2026
  • 17:02

No Content day, piloto americano afirma que o brasileiro é “muito mais fácil de lidar” que outros novatos e destaca sintonia de estilo de pilotagem como trunfo para 2026.

No movimentado content day da Fórmula Indy, em Indianápolis, um elogio vindo de um veterano de 94 corridas chamou a atenção. Santino Ferrucci, da A.J. Foyt Racing, não poupou palavras ao falar sobre seu novo companheiro de equipe, o brasileiro Caio Collet, afirmando que o estreante é “muito mais fácil de lidar, na minha opinião, do que alguns dos novatos que tive no passado. Muito direto, fácil.”

A declaração ganha peso ao se observar a trajetória recente de Ferrucci. Nos últimos dois anos, o americano de 27 anos teve como parceiros permanentes os novatos Benjamin Pedersen (2023) e Sting Ray Robb (2024). A experiência com Collet, que sobe à categoria principal após um vice-campeonato na Indy NXT em 2025 com três vitórias, parece ser de outro nível desde o primeiro contato.

A harmonia, segundo Ferrucci, vai além do relacionamento na garagem. Ela se estende para a pista. “Estou ansioso para ter alguém com um estilo de pilotagem muito similar ao meu”, disse o piloto, que alcançou três pódios na carreira. “Acredito que podemos ser bastante competitivos juntos.”

O americano, que completará 100 corridas na categoria no circuito de Indianápolis, misturou incentivo com conselho realista ao falar sobre as expectativas para o brasileiro: “As expectativas para ele serão o que ele definir para si mesmo. Acho que ele é um cara muito talentoso. Meu conselho seria começar apenas tentando terminar [as corridas].”

Questionado sobre como será liderar um novato, Ferrucci riu ao notar a ironia da situação: “É meio estranho ser chamado de piloto sênior com 27 anos de idade.”

Estabilidade e a Aliança com a Potência Penske

Além da chegada promissora de Collet, Ferrucci destacou outro fator crucial para seu otimismo em 2026: a rara estabilidade dentro da equipe. “Tivemos mudanças de equipe no ano passado, mudanças na engenharia… ter tudo permanecendo igual desde o meio da temporada de 2025 até a de 2026 será um grande passo à frente para nós”, explicou.

Esse crescimento é potencializado pela contínua e profunda aliança técnica com a Team Penske, uma relação que começou em 2023. O que era um suporte inicial com amortecedores evoluiu para uma assistência abrangente em montagem de chassis e setups, aproximando-se de um modelo de parceria “sênior-júnior” semelhante ao visto na Fórmula 1.

Ferrucci confirmou que essa colaboração vital permanece intacta: “Tudo está como foi nos últimos dois anos. Estou muito ansioso para trabalhar com eles, compartilhando informações e todo tipo de coisa divertida.”

As declarações de Santino Ferrucci pintam um cenário surpreendentemente positivo e coeso para a A.J. Foyt Racing, uma equipe que historicamente enfrenta batalhas árduas no grid. A chegada de Caio Collet parece ter acertado em cheio não apenas pelo talento comprovado na NXT, mas pela sintonia com Ferrucci.

Ferrucci, agora um piloto estabelecido e claramente na posição de líder, encontrou em Collet um parceiro que fala a mesma “língua” dentro do carro. Isso é um ativo inestimável. Em uma equipe com recursos limitados, a capacidade de os dois pilotos partirem para uma direção de desenvolvimento semelhante, validando dados e setups mutuamente, pode acelerar o progresso de forma dramática. A sinergia pode transformar a dupla em uma unidade mais forte que a soma de suas partes.

A ênfase na estabilidade interna e o continuado apoio da Penske são os outros pilares dessa esperança renovada. A Foyt não está tentando reinventar a roda a cada temporada; está refinando uma estrutura que, finalmente, tem a chance de amadurecer. Para Collet, esse ambiente é ideal: ele entra em uma equipe que não está em crise, com um parceiro disposto a colaborar e com o respaldo técnico de uma das maiores organizações do esporte.

A modestos objetivos de Ferrucci para o novato – “apenas tentar terminar” – são sábios. O primeiro ano na Fórmula Indy é um maratona de aprendizado. Mas se a sintonia anunciada se traduzir em resultados, e a estabilidade se refletir em confiabilidade, podemos ver a dupla da Foyt surpreendendo e, quem sabe, brigando por posições dentro do top-10 com mais consistência. Para Caio Collet e para os fãs brasileiros que poderão acompanhá-lo pelas transmissões da TV Bandeirantes (Band), Disney+ e ESPN4, é o início promissor de uma nova e empolgante jornada.

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