Foto: IndyCar
Piloto Brasileiro projeta estreia, desafios e orgulho brasileiro na AJ Foyt Racing em 2026
A coletiva de imprensa que marcou oficialmente a apresentação de Caio Collet como piloto da AJ Foyt Racing, no carro nº 4 da Fórmula Indy em 2026, foi menos protocolar do que simbólica. Entre respostas longas, reflexões maduras e um sorriso constante, o brasileiro deixou claro que a chegada à principal categoria do automobilismo norte-americano não é apenas um passo profissional — é a concretização de um objetivo traçado ainda nos tempos de Europa.
“É um sonho se tornando realidade”, resumiu Collet ao falar sobre a oportunidade. Depois de anos competindo em categorias europeias e da transição definitiva para os Estados Unidos, o piloto destacou o peso de finalmente estar em um grid que considera “um dos campeonatos mais competitivos do mundo”. A ansiedade pela estreia se mistura com satisfação e orgulho, sentimentos que ficaram evidentes ao longo de toda a entrevista.
A adaptação do salto da Indy NXT para a Fórmula Indy foi um dos temas centrais da coletiva. Collet explicou que a principal diferença está fora do cockpit. “É muito mais preparação”, afirmou, ao detalhar a complexidade estratégica da categoria. Segundo ele, enquanto a Indy NXT seguia um formato mais direto — treinos, classificação e corrida —, a Fórmula Indy exige leitura constante de cenário, planejamento de fim de semana e tomada de decisões rápidas, especialmente no dia da prova.
“A tomada de decisão é algo que eu preciso aprender rapidamente, especialmente no dia da corrida, com estratégia e tudo mais”, disse.
Nesse processo de aprendizado, a estrutura da AJ Foyt Racing e sua parceria técnica com a Team Penske aparecem como um trunfo importante. Collet destacou o acesso ampliado a dados e referências como algo fundamental para um novato.
Eu não tenho apenas um carro para olhar. Eu tenho outros três carros muito bons, então espero poder usar isso a meu favor”
Disse Collet pontando que a troca de informações pode acelerar a evolução ao longo da temporada.
Questionado sobre o caminho até a assinatura do contrato, o brasileiro descreveu o processo como “complexo” e longe de algo imediato. O bom desempenho na Indy NXT foi decisivo, mas não suficiente por si só. Houve negociações, opções avaliadas e, segundo Collet, a AJ Foyt Racing acabou se destacando naturalmente. O apoio de patrocinadores, especialmente da CombiTrans, foi citado como fundamental para viabilizar o acordo. “Eles realmente ajudaram a garantir que o negócio fosse fechado”, afirmou.
A temporada 2026 também promete uma disputa intensa entre os novatos. Collet terá pela frente Dennis Hauger e Mick Schumacher, dois nomes de peso, com experiências distintas, mas igualmente relevantes. Para o brasileiro, a chave está na regularidade. “Consistência é o que você precisa para ganhar qualquer campeonato, especialmente o de novatos”, avaliou. Apesar do respeito declarado aos adversários, deixou claro que o objetivo é brigar diretamente pelo título de Rookie of the Year. “Definitivamente é uma prioridade”, cravou.
Outro ponto recorrente foi o orgulho de representar o Brasil na Fórmula Indy. Collet fez questão de destacar a tradição do país na categoria, citando nomes históricos e lembrando o peso simbólico de recolocar a bandeira brasileira no grid. “É um país com muita história, muitas vitórias, campeonatos e 500 Milhas de Indianápolis”, afirmou, demonstrando consciência da responsabilidade que carrega.
Falando especificamente das 500 Milhas de Indianápolis, o tom foi de respeito e quase incredulidade. “Não parece real que eu vou fazer parte dessa corrida em maio”, confessou. Para Collet, o foco agora está no processo, entendendo que o mês de maio exige uma preparação específica e detalhada antes mesmo de pensar no dia da largada.
A coletiva também abordou a importância da exposição da Fórmula Indy no Brasil, com transmissões em TV aberta, algo que o piloto considera estratégico tanto para o crescimento da categoria quanto para seus patrocinadores. “Ter a Fórmula Indy na TV aberta no Brasil vai ajudar muito o esporte a crescer, especialmente na América do Sul”, destacou.
Ao final, Caio Collet deixou a impressão de um piloto consciente do tamanho do desafio que tem pela frente, mas confortável com o caminho percorrido até aqui. A Fórmula Indy de 2026 marca o início de uma nova fase — e, para o brasileiro da AJ Foyt Racing, o sonho agora deixa de ser apenas chegar. Passa a ser competir, aprender rápido e, se possível, fazer história.