Foto: Penske Entertainment - Travis Hinkle
Jovens talentos da Indy entram em 2026 prontos para sair da promessa ao protagonismo.
Toda grande categoria vive de ciclos. Ídolos se consolidam, lendas se despedem e, inevitavelmente, novos nomes começam a ocupar espaço. Na Indy, para 2026, há uma sensação que existe uma safra “jovem madura”, preparada e cada vez menos paciente para esperar sua vez.
Diferente de outras listas que buscam promessas em categorias de base, aqui o critério aqui foi mais direto e, talvez, mais interessante: olhar apenas para quem já está na IndyCar Series. Alguns desses nomes já são familiares ao público; outros estão prestes a se tornar.
No topo do ranking aparece David Malukas, com 24 anos, agora no lendário carro #12 do Team Penske. A sensação de que Malukas está há muito tempo no grid não é por acaso. Vice-campeão da Indy NXT em 2021, atrás de Kyle Kirkwood, Malukas mostrou desde cedo lampejos de agressividade e talento, especialmente nos ovais. Seus pódios em Gateway e o quarto lugar no Texas em 2023 não passaram despercebidos.
Tudo parecia encaminhado para um salto maior quando acertou com a Arrow McLaren para 2024, mas um acidente de mountain bike, às vésperas da temporada, mudou completamente o roteiro. Lesionado, perdeu corridas, espaço e acabou dispensado ainda em abril. A reação, porém, foi exemplar: voltou com a Meyer Shank Racing, fechou o ano com consistência e chamou novamente a atenção do paddock. Em 2025, com a AJ Foyt Racing, equipe em parceria técnica com a Penske, veio o grande resultado: segundo lugar nas 500 Milhas de Indianápolis, além de mais quatro top 10s.
Agora, Malukas assume uma vaga competitiva na Penske, substituindo Will Power. A pressão nunca foi tão alta, mas a oportunidade também nunca foi tão grande. No curto prazo, talvez seja o piloto desta lista com maior potencial de impacto imediato, desde que consiga transformar toda a bagagem — dentro e fora da pista — em regularidade.
O segundo no ranking é Dennis Hauger, de apenas 22 anos, piloto do carro #18 da Dale Coyne Racing, com motor Honda. O norueguês chega à Fórmula Indy carregando uma credencial difícil de ignorar. Multivencedor na Fórmula 2, campeão da Fórmula 3 e ex-integrante do programa de jovens da Red Bull, Hauger fez sua transição para a Indy NXT em 2025 de forma avassaladora pilotando o #28 da equipe Andretti, o melhor pacote técnico disponível no grid. Foram seis vitórias, 11 pódios e oito poles, números que deixaram claro que sua velocidade não era apenas circunstancial ou dependente de contexto europeu.
Sem vaga imediata na equipe principal da Andretti, Hauger foi emprestado à Dale Coyne Racing, mas não abandonado. Pelo contrário: a Andretti firmou uma parceria técnica com a Coyne justamente para dar suporte ao seu estreante. É impossível não lembrar do bom trabalho feito recentemente com Rinus VeeKay, especialmente com a presença do experiente engenheiro Michael Cannon. Se houver adaptação rápida, Hauger tem tudo para causar impacto já no curto prazo — e, no médio, se tornar um problema sério para o restante do grid.
Na sequência do ranking está o brasileiro Caio Collet, com 23 anos, confirmado no carro #4 da AJ Foyt Enterprises, com motor Chevrolet. Vice-campeão da Indy NXT em 2025, Collet foi o único piloto capaz de ameaçar Hauger de forma consistente, somando três vitórias e nove pódios em 14 etapas disputando o campeonato pela HMD. Campeão da Fórmula 4 Francesa, o paulista construiu fama de piloto metódico, silencioso e extremamente analítico.
Nos briefings, enquanto engenheiros e companheiros falam, Collet observa, anota e estuda dados e onboards, despertando a atenção dos engenheiros do Team Penske que trabalharam junto ao seu carro nos três testes realizados por Collet até o momento.
Esse perfil cerebral, que lembra o saudoso Gil de Ferran, pode ser uma arma poderosa na Fórmula Indy. Inserido em uma classe de estreantes forte, ao lado de Hauger e Schumacher, Collet talvez surpreenda não pelo brilho imediato, mas pela consistência e inteligência estratégica ao longo do campeonato.
No quarto posto do ranking surge Marcus Armstrong, hoje com 25 anos e defendendo a Meyer Shank Racing no carro #66. Pode parecer estranho chamá-lo de “em ascensão” depois de 46 largadas na categoria, mas a realidade é que Armstrong ainda está em fase de construção. Campeão de Rookie of the Year em 2023, mesmo sem disputar ovais naquele ano, o neozelandês sempre mostrou força em circuitos mistos e de rua, algo reforçado por suas quatro vitórias na Fórmula 2.
O salto mais simbólico veio em 2025, quando começou a entender melhor os ovais, coroado por um terceiro lugar em Iowa, durante uma rodada dupla. Foram 11 top 10s em 17 corridas e o oitavo lugar no campeonato, números que ganham ainda mais peso quando se considera a aliança técnica da Meyer Shank com a Chip Ganassi Racing, equipe dominante da categoria nos últimos anos. Com esse ambiente, a tendência é de evolução contínua.
Na quinta posição aparece Louis Foster, 22 anos, da Rahal Letterman Lanigan Racing, no carro #45. Poucos pilotos podem dizer que venceram em todas as categorias por onde passaram, e Foster é um deles. Campeão da Indy NXT em 2024, sua estreia na Fórmula Indy foi menos chamativa do que o esperado, mas longe de ser decepcionante. A pole position em Road America mostrou que velocidade pura não é um problema.
O contexto, porém, pesou. A RLL ainda atravessava um processo de reestruturação, refletido no 23º lugar de Foster no campeonato, apenas quatro posições atrás de Graham Rahal. Com Jay Frye já estabelecido como presidente da equipe e a chegada de Mick Schumacher para 2026, o ambiente parece mais estável. Foster tem perfil técnico e mental para evoluir, ainda que esse seja um projeto claramente de médio prazo.
O sexto posto talvez seja o mais marcado por reviravoltas: Kyffin Simpson, de 21 anos, piloto do carro #8 da Chip Ganassi Racing. Se em 2024 ele mal figuraria além de uma menção honrosa, 2025 mudou completamente essa percepção. Cercado por referências como Scott Dixon e Alex Palou, Simpson decidiu investir pesado em formação, correndo e vencendo provas na Asian Le Mans Series, na European Le Mans Series e fazendo aparições pontuais na IMSA.
O resultado foi um salto visível: primeiro pódio na Fórmula Indy, em Toronto, além de três top 5s e seis top 10s. Mesmo terminando apenas em 17º no campeonato, o desempenho poderia ter sido bem melhor sem algumas escolhas estratégicas infelizes. Entrando em seu terceiro ano, o próximo passo lógico é brigar por vitórias.
Uma menção honrosa vai para a chegada de Mick Schumacher à Fórmula Indy em 2026 adiciona peso técnico e simbólico ao grupo de jovens pilotos em ascensão. Campeão da Fórmula 2 em 2020 e ex-piloto da Fórmula 1 pela Haas, Mick traz uma formação sólida, construída em ambientes de alta pressão, além de experiência recente como piloto reserva da Mercedes e em provas de endurance. Carregar o sobrenome Schumacher naturalmente amplia a atenção, mas sua trajetória mostra um piloto que aprendeu a lidar com contextos difíceis e a se adaptar.
Na Rahal Letterman Lanigan Racing, Schumacher encontra uma equipe em processo de reconstrução técnica, agora liderada por Jay Frye, e um cenário propício para crescimento mútuo. A Fórmula Indy exige versatilidade, leitura de corrida e adaptação rápida — especialmente nos ovais — e, nesse ponto, a bagagem europeia e o perfil analítico de Mick podem se transformar em ativos importantes ao longo da temporada.
Não é realista esperar resultados imediatos, mas 2026 surge como um ano-chave para Schumacher se reinventar e construir uma identidade própria na Indy. Com estabilidade, tempo de pista e confiança, ele tem potencial para ir além do impacto midiático e se firmar como um nome competitivo e relevante nesse novo ciclo da categoria.
No fim das contas, a Fórmula Indy de 2026 não vive apenas de consagrados. Há uma geração jovem que já não pede passagem — ela começa a ocupar espaço. Alguns vão explodir rapidamente, outros precisarão de tempo, mas todos carregam algo em comum: não estão mais no grid apenas para aprender. Estão ali para competir.

