MERCADO DA INDY ESQUENTA RUMORES: HERTA POWER E ATÉ GROSJEAN EM PAUTA

Foto: Penske Entertainment: Joe Skibinski

  • Léo "Rock" Alves
  • 29 de agosto de 2025

Temporada de especulações traz cenários improváveis e movimentos que podem redefinir o grid de 2026

O mercado de pilotos da Fórmula Indy entrou em ebulição. A chamada silly season — época do ano em que rumores e especulações sobre mudanças de assentos ganham força — vive um momento de agitação incomum. Enquanto algumas hipóteses soam completamente absurdas, outras parecem muito próximas de se concretizar, prometendo redesenhar o grid da categoria a partir de 2026.

O rumor mais inesperado envolve Colton Herta. Segundo informações que inicialmente soavam como piada, o piloto de 25 anos poderia deixar a Andretti Global para disputar a Fórmula 2, em busca dos pontos necessários para obter a Superlicença exigida pela Fórmula 1. A lógica seria prepará-lo para assumir uma vaga na equipe Andretti Cadillac, caso o projeto da escuderia norte-americana finalmente se junte ao grid da F1. O cenário parecia improvável, mas ganhou corpo nos bastidores em Milwaukee, onde dirigentes se mostraram mais cautelosos nas conversas. Um proprietário de equipe chegou a antecipar que um comunicado oficial pode ser emitido nas próximas semanas, e o repórter da RACER F1, Chris Medland, confirmou que equipes da F2 receberam sondagens sobre Herta.

Se o californiano realmente migrar para a Europa, a vaga no carro nº 26 da Andretti pode desencadear um efeito dominó. O nome mais cotado para substituí-lo é Will Power, que ainda não tem futuro garantido na Penske. Embora seja improvável ver pilotos veteranos em ascensão no fim da carreira, a troca poderia representar uma “promoção” rara para o australiano, que soma uma vitória nesta temporada contra três da Andretti.

Outra peça nesse quebra-cabeça é o atual campeão da Indy NXT, Dennis Hauger. Apesar de especulado como substituto de Herta, o norueguês aparece com mais força em negociações com a Dale Coyne Racing, em um modelo de contrato transitório antes de integrar a Andretti em definitivo a partir de 2027.

A situação de Power continua sendo o grande ponto de inflexão. Caso a Penske opte por mantê-lo, abre-se espaço para ajustes pontuais no grid. Mas se a equipe decidir encerrar a parceria, múltiplas portas se abrem — incluindo o interesse já declarado da Rahal Letterman Lanigan (RLL), que gostaria de formar um trio com Graham Rahal e Louis Foster.

Outro nome que pode embaralhar o tabuleiro é Rinus VeeKay. O holandês era visto como certo na Dale Coyne, mas informações recentes indicam que ele pode avaliar novas opções. Caso sua saída se confirme, Romain Grosjean surge como candidato a retornar à equipe onde iniciou sua trajetória na Indy após a Fórmula 1.

O sueco Linus Lundqvist, dispensado da Ganassi, também apareceu nos bastidores em Milwaukee com semblante animado. O piloto teria se reunido com dirigentes de uma equipe interessada e é especulado como opção para a Juncos Hollinger Racing, que, por sua vez, estuda uma colaboração — ou até fusão — com a PREMA.

E é justamente a PREMA Racing que vive o momento mais nebuloso. A equipe italiana precisa de novos investidores para assegurar sua continuidade na Indy. Entre as hipóteses, estão tanto a saída definitiva após a atual temporada quanto uma fusão com outra equipe. Enquanto isso, Robert Shwartzman estaria descontente com a experiência nos EUA e cogita voltar à Europa.

No meio desse turbilhão, outro rumor já foi praticamente enterrado: o de que Alex Palou deixaria a Ganassi para correr pela Red Bull na Fórmula 1. A especulação foi interpretada como uma tentativa de desestabilizar o bicampeão justamente no auge de sua campanha.

O fato é que, em menos de um mês, a silly season da Indy passou de apática para caótica. Herta, Power, Hauger, VeeKay, Grosjean, Lundqvist, Shwartzman e até a própria PREMA estão no centro de uma rede de rumores que promete mexer profundamente com o grid. A única certeza é que, após a final da temporada, a dança das cadeiras deve revelar quem estava apenas nos boatos e quem realmente mudará de equipe em 2026.

O momento atual escancara tanto a vitalidade quanto a fragilidade do mercado da Indy. A vitalidade se reflete no número de jovens talentos buscando espaço e na movimentação de equipes como Andretti e Dale Coyne para estruturar o futuro. A fragilidade, por sua vez, aparece na dificuldade de times como a PREMA em garantir estabilidade financeira no cenário norte-americano.

Entre todos os rumores, o de Herta talvez seja o mais simbólico. Tirar um piloto estabelecido da Indy para rebaixá-lo à Fórmula 2 seria um movimento sem precedentes, mas que reforça o peso do sonho da Fórmula 1 para Andretti e para o próprio piloto. Caso se confirme, será um divisor de águas na relação entre a Indy e seus talentos.

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