INDY AVANÇA NA CRIAÇÃO DE CONSELHO INDEPENDENTE DE ARBITRAGEM

Foto: PENSKE ENTERTAINMENT

  • Léo "Rock" Alves
  • 29 de agosto de 2025

Mudança histórica deve separar a gestão esportiva da influência direta de Roger Penske; FIA surge como possibilidade de assumir papel

A Fórmula Indy se prepara para uma transformação significativa fora das pistas. A partir de 2026, a categoria deve finalmente colocar em prática o plano de transferir a responsabilidade de arbitragem e inspeção técnica para um órgão independente, reduzindo a influência direta da Penske Entertainment, proprietária da série e também equipe mais vitoriosa do grid.

O projeto foi anunciado em maio pelo presidente da IndyCar, Doug Boles, e está em fase de desenvolvimento. A principal motivação é eliminar conflitos de interesse: afinal, Roger Penske, dono da categoria e do Indianapolis Motor Speedway, também é proprietário de uma equipe com três carros no campeonato.

Segundo apuração da RACER, duas opções concentram a maior parte do apoio nos bastidores:

  1. Criação de um novo conselho independente, com representantes de equipes, montadoras e especialistas externos;
  2. Terceirização da governança, delegando as funções a uma entidade já consolidada, como a FIA, que regula a Fórmula 1 e o Mundial de Endurance.

Não por acaso, dois representantes da FIA foram convidados para acompanhar os bastidores da etapa de Milwaukee no último fim de semana, observando de perto as operações da direção de prova e da inspeção técnica da Indy.

Até hoje, a IndyCar sempre atuou como seu próprio órgão sancionador. Mas parte dos donos de equipe pressionou por uma separação total, que pode significar tanto a criação de uma estrutura própria quanto a entrega da governança a uma organização internacional.

No modelo interno, a ideia é montar um conselho de pequenas dimensões, formado por nomes escolhidos do paddock e de fora dele, com participação rotativa de representantes das equipes e membros indicados pelas montadoras. Esse grupo não teria a função de “apitar” corridas ou fiscalizar carros em tempo real, mas sim de liderar e gerir de forma independente as áreas de direção de prova e inspeção técnica.

Doug Boles explicou a lógica da mudança:

“Esse conselho não estará sentado na sala de controle de prova nem junto à inspeção técnica, ajudando a aplicar penalidades em tempo real. Operacionalmente, continuará existindo um diretor de prova e uma equipe técnica, como já temos. O que muda é a forma de liderança, clara e independente de qualquer influência da IndyCar, do Indianapolis Motor Speedway ou da sua propriedade.”

Segundo Boles, a decisão final sobre o modelo a ser adotado será tomada nos próximos meses, mas a implementação está garantida já para 2026.

“Primeiro de tudo, isso vai acontecer no próximo ano. Estamos montando uma estrutura, já discutimos a ideia com alguns donos de equipe e agora é uma questão de construir um cronograma, definir como funcionará e implementar”, afirmou o dirigente à RACER.

A IndyCar vive um dilema delicado: por um lado, o comando de Roger Penske trouxe estabilidade e visão estratégica à categoria desde 2020. Por outro, o acúmulo de papéis – dono da série, do autódromo mais importante e de uma das equipes mais fortes – sempre levantou suspeitas sobre imparcialidade em decisões de bastidores.

Criar um conselho independente, mesmo que apenas administrativo, é um passo importante para dar mais credibilidade à arbitragem e à fiscalização técnica. A entrada da FIA, embora improvável para alguns, representaria um salto de legitimidade global, mas traria custos e um estilo de governança diferente do que o paddock da Indy está acostumado.

Seja qual for o caminho, 2026 pode marcar um divisor de águas: a Indy finalmente caminhando para uma estrutura de governança que separa competição de propriedade, algo fundamental para o futuro da categoria.

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