HERTA PODE DISPUTAR A F2 EM 2026 EM BUSCA DA SUPERLICENÇA DA FIA

  • Léo "Rock" Alves
  • 29 de agosto de 2025

Piloto da Andretti estaria nos planos para se aproximar da Fórmula 1 após frustração com pontuação insuficiente na Indy

As especulações em torno do futuro de Colton Herta ganharam novo capítulo. Segundo apuração da RACER, o norte-americano de 25 anos pode trocar a Fórmula Indy pela Fórmula 2 em 2026, em um movimento estratégico para somar pontos na Superlicença exigida pela FIA e se colocar em posição de disputar uma vaga na Fórmula 1.

Atualmente na Andretti/TWG Motorsports, Herta chegou a ser ligado a uma das vagas da Andretti Cadillac no Mundial de F1. Contudo, sua pontuação no sistema da FIA inviabilizou qualquer chance real. Com o calendário atual, e considerando a participação confirmada de Kyle Kirkwood em Nashville, Herta não pode terminar o campeonato da Indy acima da sexta posição — o que o deixaria com 37 pontos, três a menos que os 40 exigidos. No pior cenário, ele ainda pode cair para fora do top-10 e fechar o ciclo de três anos com apenas 31 pontos.

A Fórmula 2, como principal categoria de acesso, oferece a pontuação necessária: os três primeiros do campeonato garantem 40 pontos, e até o sexto colocado soma em dois dígitos. Além disso, a F2 disputa suas etapas junto aos GPs de F1 — 14 das 24 pistas do calendário atual —, com pneus Pirelli de alta degradação, reproduzindo parte das condições técnicas da Fórmula 1. Para Herta, seria um ambiente de adaptação ideal para se aproximar do paddock europeu.

Não seria a primeira experiência internacional do piloto: ele correu na Europa em 2015 e 2016, mas nunca participou das categorias oficiais de acesso F3 ou F2. A novidade, portanto, representaria tanto um recomeço quanto uma ponte estratégica rumo ao sonho da Fórmula 1.

A movimentação também faz sentido dentro da estratégia da Andretti. A equipe anunciou nesta semana Sergio Pérez e Valtteri Bottas como titulares da estreia da Cadillac F1, mas, em paralelo, busca construir uma trajetória para um piloto americano chegar à categoria máxima. O próprio Dan Towriss, CEO da TWG Motorsports, destacou na ocasião: “É importante para nós garantir um caminho para que um piloto americano chegue à Fórmula 1, e estaremos trabalhando nisso.”

Fontes da RACER revelam que diversas equipes da Fórmula 2 já foram procuradas para avaliar a possibilidade de inscrever Herta em 2026, embora ainda não haja confirmação de acerto. Enquanto isso, a Andretti precisaria se preparar para substituí-lo na Indy caso o plano se concretize — e, entre os nomes especulados, está o veterano Will Power, que pode deixar a Penske e se encaixaria como reforço imediato.

Ainda não há decisão oficial, mas os sinais indicam que a Andretti trabalha em múltiplas frentes: consolidar sua entrada na F1, fortalecer sua base de jovens talentos e criar um elo direto entre o automobilismo americano e europeu. Nesse contexto, colocar Herta na Fórmula 2 seria um passo ousado, mas calculado, para transformar o californiano em candidato real a ocupar um cockpit na F1 no futuro próximo.

Se confirmada, a ida de Herta para a F2 será um marco inédito: nunca antes um piloto consolidado da Indy foi deslocado para a categoria de acesso da F1 com o objetivo específico de somar pontos de Superlicença. A medida revela a determinação da Andretti em emplacar um norte-americano no grid da Fórmula 1, mas também expõe as limitações do atual sistema de pontuação da FIA, que acaba desvalorizando conquistas em campeonatos de alto nível como a própria Fórmula Indy.

No fim das contas, o movimento pode ser tanto uma chance única para Herta quanto um risco para sua carreira: trocar vitórias e protagonismo na Indy por um recomeço na F2 é uma aposta alta, mas que, se bem-sucedida, pode abrir a porta que ele e a Andretti tanto desejam.

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