PENSKE VIVE MONTANHA RUSSA EM IOWA E SAI COM MAIS PERGUNTAS DO QUE RESPOSTAS.

Foto: Penske Entertainment: Aaron Skillman

  • Léo "Rock" Alves
  • 13 de julho de 2025


Mesmo com ritmo dominante, trio da equipe sofre com acidentes e falhas mecânicas que expõem fase instável na Fórmula Indy

O fim de semana duplo em Iowa revelou, mais uma vez, o drama que ronda a Team Penske nesta temporada da Fórmula Indy. Apesar de contar com carros velozes e um histórico dominante no oval curto de Newton, a equipe de Roger Penske saiu da rodada com um saldo preocupante: apenas Josef Newgarden completou a corrida de domingo — e mesmo assim, longe do que seu desempenho prometia.

A comparação com o que aconteceu no World Wide Technology Raceway em junho ou no Mid-Ohio, uma semana antes, não é exagero. Em ambas as etapas, a Penske exibiu performance suficiente para ocupar todo o pódio — mas saiu de mãos abanando por conta de acidentes, falhas e azares diversos. Em Iowa, não foi diferente: enquanto Newgarden terminou em 2º no sábado e 10º no domingo, Will Power e Scott McLaughlin amargaram abandonos que escancararam a fase de instabilidade técnica do time.

Power, em especial, vive um pesadelo recorrente: após abandonar em Mid-Ohio com um problema de motor, voltou a sofrer o mesmo destino em Iowa no domingo, desta vez optando por retirar o carro como medida preventiva. O piloto chegou à rodada como o mais bem colocado da Penske na tabela — 7º lugar — mas caiu para 8º e já está matematicamente eliminado da briga pelo título. “Foi um problema no motor durante a corrida, e decidimos parar o carro para evitar danos maiores”, afirmou Andrew Schutter, diretor do programa IndyCar da Chevrolet, que prometeu uma investigação mais profunda sobre as falhas.

McLaughlin, por sua vez, viveu as duas pontas da montanha-russa. No sábado, brilhou ao sair do último lugar no grid e cruzar a linha de chegada em 4º com uma pilotagem inspirada. Mas no domingo, mal teve tempo de reagir: foi acertado por Devlin DeFrancesco na volta 1 após o canadense rodar sozinho — e foi direto para os boxes, terminando em 26º.

Newgarden, mesmo sendo o único a sobreviver à tempestade, viu a vitória escapar mais uma vez, apesar de liderar boa parte da prova. Após dominar no sábado e perder para Pato O’Ward no fim, o bicampeão da Indy 500 liderava novamente no domingo até ser pego por duas bandeiras amarelas em momentos cruciais que anularam sua estratégia. Ele caiu para 14º na tabela de pontos — uma ascensão a partir do 19º lugar, mas muito aquém do que se esperava de alguém com seu histórico em ovais.

No geral, o panorama é desolador: os três pilotos da Penske acumularam 12 chegadas em 24º lugar ou pior em apenas 12 corridas — um dado difícil de engolir para qualquer equipe, ainda mais para uma organização com o pedigree da Penske. E mesmo com o discurso otimista de Newgarden — “Temos que continuar fazendo o que estamos fazendo. O carro estava rápido de novo. O grupo está trabalhando duro” — os números falam mais alto.

A temporada de 2025 da Fórmula Indy expôs fragilidades profundas na Team Penske que vão além dos carros e dos pilotos. As seguidas falhas e quebras em momentos cruciais refletem uma crise de liderança e cultura, não só técnica, mas institucional.

Desde os escândalos de violação de regulamento — incluindo a modificação ilegal dos atenuadores no Fast 12 da Indy 500 e a manipulação da função push-to-pass em 2024 — a Penske acumulou duas grandes controvérsias em sequência. Em resposta, Roger Penske demitiu três executivos sêniores que estavam no núcleo das decisões da equipe: Tim Cindric (presidente da Penske IndyCar), Ron Ruzewski (diretor-geral) e Kyle Moyer (gerente-geral).

Essas demissões — especialmente de Cindric, figura chave do time desde 1999 — evidenciam que os problemas não são pontuais, mas estruturais. A ausência de uma liderança clara e orientação estratégica deixou a equipe vulnerável. O resultado? Desempenhos inconsistentes: Will Power abandonou duas corridas seguidas por falhas no motor, Scott McLaughlin viu sua forma cair vertiginosamente depois de uma performance promissora, e Josef Newgarden perdeu vitórias certeiras em ovais por azar acumulado e bandeiras amarelas inoportunas. Enquanto isso, a equipe coleciona 12 resultados em 24º lugar ou pior em 12 corridas — um dado humilhante para uma organização com pedigree Penske .

Os discursos públicos soam desconectados da realidade. Após mais um fiasco, Newgarden afirmou: “O time está trabalhando duro, o carro era rápido, precisamos continuar fazendo o que estamos fazendo”. Mas repetir os erros enquanto a liderança se desfaz não é estratégia — é neblina.

Neste momento, manter o título vivo já é improvável diante da vantagem de Palou. A Penske precisa urgentemente de reestruturação interna, reforço na fiscalização técnica e reconstrução moral. Sem isso, não será apenas difícil ganhar corridas — será impossível reconquistar a credibilidade.

Toronto, com transmissão pela TV Cultura (site e app), ESPN4 e Disney+, será um termômetro crucial: ou aponta para uma virada, ou acentua a crise. E o tempo para reagir está acabando.

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